Festival Imersivo 2026

  



Festival Imersivo 2026 (5ª Edição)
09 a 11 de Outubro de 2026 | Lisboa Incomum


O Festival Imersivo 2026 decorrerá de 9 a 11 de Outubro de 2026 no Lisboa Incomum, em Lisboa, Portugal. Este evento anual, organizado pelo Projecto DME, é dedicado à música electroacústica e coloca em destaque os sistemas de som em forma de cúpula do espaço Lisboa Incomum, proporcionando uma experiência auditiva imersiva única.



Programa

09 de Outubro (sexta-feira)
  • 18h00-Inauguração da instalação em realidade virtual desenvolvida por Ricardo Almeida [Prémio 3ª edição Residência Artística Artes Tecnológicas e Multimédia, programa promovido pela Direção Municipal de Cultura através da Divisão de Ação Cultural da Câmara Municipal de Lisboa]
  • 19h30-Concerto Hugo Vasco Reis & Trevor McTait

10 de Outubro (sábado)
  • 14h00-17h00-  Instalação em realidade virtual desenvolvida por Ricardo Almeida [Prémio 3ª edição Residência Artística Artes Tecnológicas e Multimédia, programa promovido pela Direção Municipal de Cultura através da Divisão de Ação Cultural da Câmara Municipal de Lisboa]
  • 18h00- Mesa Redonda - "Electroacoustic Music and beyond"
  • 19h30-Concerto

11 de Outubro (domingo)
  • 14h00-17h00- Instalação em realidade virtual desenvolvida por Ricardo Almeida [Prémio 3ª edição Residência Artística Artes Tecnológicas e Multimédia, programa promovido pela Direção Municipal de Cultura através da Divisão de Ação Cultural da Câmara Municipal de Lisboa]
  • 18h00-  Mesa Redonda - "A minha voz é a tua voz"
  • 19h30-Concerto


Página em atualização







Hugo Vasco Reis & Trevor McTait

Concerto
9 OUT, 19h30 | Lisboa Incomum

Programa

Jaime Reis: Fluxus, Transitional Flow (2013), para viola d'arco e electrónica

 Eduardo Luís Patriarca: Un Souffle, Le Rêve (2005), para viola d'arco

Hugo Vasco Reis: Re-Memory I* (2025/2026), para viola d'arco e electrónica

João Pedro Oliveira - Pulses** (2025), acusmática

Miguel Azguime: Dedans-Dehors (2018), para viola d'arco

Igor C Silva: Terminus (2009), para viola d'arco e electrónica

*Estreia mundial, encomenda Projecto DME

** Encomenda DME - nova versão para sistema electroacústico imersivo em forma de cúpula - acusmática



Hugo Vasco Reis- Electrónica
Trevor McTait- Viola d'arco

Jaime Reis:Fluxus, Transitional Flow

Esta peça pertence ao ciclo Fluxus, cujas peças são inspiradas em elementos da Física e nas quais são desenvolvidos elementos musicais que se relacionam com determinados fenómenos físicos relacionados com a mecânica dos fluidos. Nesta peça em particular, encomenda do Festival Primavera, foram gravados sons de aviões do Aeroclube de Torres Vedras e utilizadas técnicas de síntese que remetessem para a ideia de um fluxo musical que parte da viola d'arco e é expandido para a electrónica, em transições que passam desde os elementos mais próximos ao material musical instrumental, como que se de um fluxo laminar (numa perspectiva física) se tratasse, até elementos mais imprevisíveis, como se de num fluxo turbulento, gerando assim um jogo constante de transições entre os diferentes materiais musicais e seus tratamentos. Foi concebida como uma peça didáctica cujas partes foram organizadas para poderem ser tocadas por alunos em níveis diferentes de modo a promover o estudo do instrumento por alunos do Ensino Artístico Especializado em práticas menos frequentes como a música electroacústica.


Eduardo Luís Patriarca: Un Souffle, Le Rêve 

Un Souffle, Le Rêve integra um ciclo de obras dedicado a instrumentos de cordas. A obra parte da ideia de um “som único” e de uma escuta meditativa e contínua desse som, a partir do qual se desenvolve todo o restante material musical.
Esta abordagem estabelece uma relação com uma preocupação presente na chamada Escola Espectral, embora aqui explorada de forma particular. A atenção à natureza do som e às suas possibilidades de transformação conduz ao aparecimento de relações microtonais e de um material musical que se vai progressivamente construindo a partir desse núcleo sonoro.
A ideia de permanecer sobre um som, observá-lo e descobrir nele novas possibilidades aproxima-se de uma preocupação partilhada por compositores como Gérard Grisey, Jonathan Harvey e Georg Friedrich Haas, entre outros. Mais do que um processo puramente técnico, esta exploração assume também uma dimensão filosófica e contemplativa: o som torna-se simultaneamente ponto de partida, matéria e espaço de escuta.

Hugo Vasco Reis: Re-Memory I

"O passado é tudo menos o que já passou. É algo a que eu posso sempre voltar de novo.”

Esta citação de Martin Heidegger, em “O conceito de tempo”, serve de premissa para Re-Memory, um ciclo de obras a solo, com recurso a amplificação e/ou electrónica. Assim, em cada obra, a memória é revisitada com base na escuta e mediação de gravações de campo, realizadas pelo compositor, as quais contêm arquivos sonoros tais como, sons no interior de árvores, sons em estruturas metálicas, ou sons de debaixo de água, apenas para nomear alguns, cujo conceito se inclui, segundo o próprio, como parte do ambiente sónico silencioso. O objetivo é, através da prática artística, incitar a uma nova consciência sonora da realidade "ausente" em que todos vivemos.

João Pedro Oliveira - Pulses

Pulses é uma peça acusmática baseada na iteração de diferentes pulsações, em diversos contextos e através de diferentes transformações.

A peça foi encomendada pelo Projecto DME (Dias de Música Electroacústica).


Miguel Azguime: Dedans-Dehors

"Inside-outside" explora uma dualidade no carácter musical da viola. Por um lado, exuberante, enérgica e brusca; por outro, delicada, íntima e ténue.
Recorrendo a técnicas instrumentais e a uma linguagem musical levadas ao extremo, esta dualidade é acentuada tanto quanto possível. A obra oscila entre momentos excessivamente rápidos e agressivos e outros construídos a partir das sonoridades mais suaves e de frases longamente dilatadas no tempo.
A obra prevê também a possibilidade de utilização de eletrónica em tempo real. Na presente ocasião, é apresentada na sua versão para viola solo.

Igor C Silva: Terminus

Esta peça representa o fim de tudo aquilo que conhecemos. É uma forma de expressar as cores e os sentimentos associados a todos os ciclos que chegam ao fim. Uma peça para viola e electrónica que explora a ideia de espaço como lugar de ressonância e suspensão, onde o som se estende para além do gesto instrumental. Entre a noção de fim e a contemplação, a música habita um território liminar em que cada som parece persistir, observar e desaparecer lentamente.


Hugo Vasco Reis

Hugo Vasco Reis (Lisboa, 1981) é compositor e investigador, a viver no Porto. A sua prática artística estende-se à música acústica, música electroacústica e instalações sonoras, realizando colaborações com músicos e artistas visuais, que apresentam regularmente as suas obras por toda a Europa.

A sua música está documentada num vasto catálogo de partituras e álbuns, tendo sido premiada ou selecionada em diversos concursos nacionais e internacionais.

As suas composições recentes incluem uma investigação sobre os fenómenos sonoros e de percepção, abordando agências de escuta e mediação, com o objetivo de incluir sons aparentemente silenciosos do ambiente sonoro na prática artística.

Atualmente é doutorando na University of Music and Performing Arts Graz, KUG (Áustria), como bolseiro da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Estudou composição com Isabel Mundry na Zurich University of the Arts, ZHdK (Zurique, Suíça), como bolseiro da Fondation Nicati-de Luze, com Mark André e Stefan Prins na Hochschule für Musik Dresden (Dresden, Alemanha) e com António Pinho Vargas, Luís Tinoco e Sérgio Azevedo na Escola Superior de Música de Lisboa (Lisboa). Teve aulas particulares e masterclasses com os compositores Toshio Hosokawa, Chaya Czernowin, Hans Tutschku, Dieter Ammann, Franck Bedrossian, Barry Truax, Zigmunt Krauze, Åke Parmerud, Carola Bauckholt, Klaus Lang, Peter Ablinger, entre outros.

As suas obras têm sido apoiadas pelo Ministério da Cultura de Portugal, DGArtes, Antena 2, Câmara Municipal de Lisboa, SPAutores, GDA, Coro Setúbal Voz, Síntese GMC, Musicamera, Borealis Ensemble, MPMP, Duo Sigma, Arte no Tempo, ZHdK Foundation, Momento Foundation, Graf-Fonds, Gaudeamus, KWDS, Trio Elogio, GMCL, Drumming, Vertixe Sonora, Collective Lovemusic, QCC String Quartet, Trio Piazzolla Lisboa, Orchestra della Svizzera Italiana, Miso Music Portugal, RePercussion Trio, Orquestra Portuguesa de Guitarras e Bandolins, Trio Funkloch e Kuratorium Aargau.

As suas partituras encontram-se editadas e disponíveis no MIC.PT – Centro de Investigação e Informação da Música Portuguesa.

Estudou também guitarra portuguesa no Conservatório de Música do Porto e na classe de Pedro Caldeira Cabral. É engenheiro civil, embora atualmente não exerça essa profissão.

Trevor McTait

Trevor McTait é violetista principal do Remix Ensemble e da Orquestra Barroca da Casa da Música, e professor de música de câmara na Escola Profissional de Música de Espinho. Em 2026, lançou Fifty-Fifty, um álbum dedicado à música portuguesa contemporânea para viola solo e viola com eletrónica, e Ténue, um segundo álbum inteiramente dedicado à obra do compositor Hugo Vasco Reis.

Em Londres, trabalhou regularmente com a Orquestra Sinfónica da BBC e a Philharmónica de Londres, participando, entre outros, nos concertos dos BBC Proms, e integrou o Archinto String Quartet e o Chroma, ensemble dedicado à música contemporânea. Ao longo da sua carreira, apresentou-se em algumas das mais importantes salas internacionais, incluindo o Carnegie Hall, em Nova Iorque, o Symphony Hall, em Washington D.C., a Philharmonie de Berlim e o Esplanade Theatre de Singapura, bem como nas principais salas de concerto de Londres. Em contexto orquestral, trabalhou sob a direção de maestros como Bernard Haitink, Vladimir Ashkenazy, Semyon Bychkov, Jukka-Pekka Saraste, Jiří Bělohlávek, Sir Colin Davis e Leonard Slatkin, entre outros, e colaborou com solistas de renome como Maxim Vengerov, Yuri Bashmet, Evgeny Kissin, Steven Isserlis e Fabio Biondi. A sua discografia inclui gravações com a BBC Symphony Orchestra, o Remix Ensemble, a Orquestra Barroca da Casa da Música e a MusikFabrik, entre outras formações.

A sua atividade artística cruza a música contemporânea, a música antiga e a música de câmara. Ao longo da carreira, colaborou com diversos ensembles internacionais, incluindo a MusikFabrik, de Colónia, a Basel Sinfonietta e os New London Soloists, entre outros. Em Portugal, é convidado regularmente a atuar com a Orquestra D'Aquém Mar. Foi também violetista principal da Orquestra Clássica do Centro, da Orquestra de Espinho e da Orquestra Costa Atlântica, tendo colaborado ainda com artistas de diferentes áreas, como Mariza, César Mourão, S. Pedro, Miguel Araújo, Diogo Piçarra e Mão Morta.

Nascido em Hertfordshire, Inglaterra, obteve um mestrado em Música pela Universidade de Cambridge e o DipRAM pela Royal Academy of Music, em Londres, onde foi bolseiro Leverhulme para música de câmara. Estudou viola com violetistas como Martin Outram, Rivka Golani, Paul Silverthorne, Jerzy Kozmala, Atar Arad e John White, e trabalhou música de câmara com músicos como Sigmund Nissel, do Amadeus Quartet, Sandor Devich, do Bartók Quartet, Sir Colin Davis e diversos quartetos de referência. Entre 1998 e 2000, foi violetista solista A da European Union Youth Orchestra, sob a direção de Vladimir Ashkenazy e Bernard Haitink.



Jaime Reis

Jaime Reis (n. 1983) é um compositor português.

Ⓒ Sofia Nunes

Estudou Composição e Música Electroacústica com João Pedro Oliveira, Emmanuel Nunes e K. Stockhausen. Continuou os seus estudos de doutoramento na Universidade Nova de Lisboa em Etnomusicologia.
O pensamento musical de Jaime Reis é informado pelo seu grande interesse pela investigação em ciências naturais e pela sua permanente atenção às tradições musicais - e, de facto, espirituais - asiáticas.
Um dos seus focos é a dinâmica das formas, forças e fluxos em música. Explora percursos polifónicos espaciais através de sistemas de som imersivos em forma de cúpula.
Outra característica marcante da sua música é a presença de conceitos complexos que sustentam a construção das suas peças, muito embora não distraindo o ouvinte da sua beleza sensível. As ideias funcionam como funções ocultas que, apesar do seu rigor intelectual, geram formas musicais voluptuosas.
Jaime Reis é professor de Composição e Música Electroacústica na Escola Superior de Música de Lisboa (ESML) e investigador no Instituto de Etnomusicologia da Universidade Nova de Lisboa. É director artístico do Projecto DME e do Lisboa Incomum, que desenvolvem uma intensa actividade de investigação e criação de música erudita contemporânea.
A sua música foi tocada em todo o mundo por ensembles e músicos como Christophe Desjardins, Pierre-Yves Artaud, Aida-Carmen Soanea, Ana Telles, ensemble Fractales, Ensemble Horizonte, Grupo de Música Contemporânea de Lisboa, Machina Lírica, Orchestre de Flûtes Français e Aleph Gitarrenquartett.

Bio. por Monika Streitová, flautista e Professora na Universidade de Évora;
retirada de jaimereis.pt; actualizada em Maio 2020.


Eduardo Patriarca

Nascido na cidade do Porto, em abril de 1970, estudou composição e piano. Frequentou o Mestrado e Doutoramento na Universidade de Aveiro sob orientação de Isabel Soveral.

A sua escrita está ligada ao Budismo, é remanescente da Escola espectral, com uso frequente de fractais e de padrões próximos ao conceito de mantras, de onde derivam ideias de ciclos e policiclos, resultantes de um pensamento polifónico derivado das estéticas medievais e renascentistas.


João Pedro Oliveira

João Pedro Oliveira ocupa o cargo de Corwin Endowed Chair em Composição na Universidade da Califórnia em Santa Barbara. Estudou orgão, composição e arquitetura em Lisboa. Concluiu o doutoramento em Música na Universidade de New York em Stony Brook. Sua música inclui composições orquestrais, música de câmara, música eletroacústica e vídeo experimental.

Recebeu mais de 70 prémios internacionais pelas suas obras, incluindo o prestigiado Guggenheim Fellowship em 2023, bem como o Magisterium de Bourges e Prémio Giga-Hertz, o 1o Prémio no concurso Metamorphoses, o 1o Prémio no concurso Musica Nova. Foi professor na Universidade de Aveiro e na Universidade Federal de Minas Gerais.

Publicou diversos artigos em revistas nacionais e internacionais, e escreveu um livro sobre teoria analítica da música do século XX.



Miguel Azguime

Distinguido pela sua versatilidade, o universo criativo de Miguel Azguime reflecte uma abordagem que se baseia nas suas capacidades multifacetadas enquanto compositor, performer e poeta, sendo que esta tridimensionalidade desafia concomitantemente uma certa visão quase mística da arte.

Os inícios do seu percurso musical são marcados pela participação em várias formações de jazz e improvisação, pelos estudos de percussão com Catarina Latino, Júlio Campos e Gaston Sylvestre, e também pela participação em vários cursos e seminários de composição, por exemplo em Darmstadt, e ainda com Emmanuel Nunes e com Tristan Murail.
Um momento decisivo do seu percurso ocorreu em 1982 através do contacto com o flautista Pierre-Yves Artaud. Assim nasceu o Miso Ensemble, um duo de flauta e percussão, criado por Paula Azguime e Miguel Azguime em 1985, que desde o início se distinguiu pela procura de uma outra forma de fazer música, incluindo o uso de amplificação e de meios electrónicos. A filosofia muito própria do Miso Ensemble reflecte-se no seu nome: MISO, um ingrediente tradicional da culinária japonesa feito a partir de um longo processo de maturação, que vai ao encontro de um ideal de vida, pessoal e colectiva.

A partir dos anos 90 a dupla artística, Paula e Miguel Azguime, começou a desenvolver a sua actividade no estrangeiro em colaboração com outros intérpretes e compositores. Esta foi também a altura em que Miguel Azguime iniciou uma transição na escrita composicional, de uma forma mais livre para uma forma mais rigorosa, com a utilização quase sistemática de meios electrónicos em tempo real. Esta transformação propiciou a sua afirmação enquanto compositor, cuja música e linguagem pessoal é hoje em dia amplamente reconhecida.

Paralelamente à sua actividade criativa Miguel Azguime permanece dedicado à promoção e difusão da música de invenção e pesquisa e em particular de compositores portugueses, tanto como fundador da Miso Music Portugal, como director artístico da editora Miso Records e do Festival Música Viva, e ainda como fundador do Miso Studio e do Sond’Ar-te Electric Ensemble. Em 1995 desenvolveu também a Orquestra de Altifalantes, um projecto dedicado exclusivamente à interpretação da música electroacústica; e ainda em 2003, juntamente com Paula Azguime, fundou o Centro de Investigação & Informação da Música Portuguesa, uma plataforma digital de investigação, preservação, comunicação e base de dados, disponível em www.mic.pt, sobre o património musical português do presente para o passado, incluindo documentos numerosos em vários formatos assim como edição e distribuição de partituras.

No percurso composicional de Miguel Azguime mais um dos momentos decisivos constitui certamente a residência da DAAD em Berlim (2006), contexto que propiciou a criação e produção da ópera multimédia Itinerário do Sal – o culminar de um processo de integração entre escrita poética e escrita musical. Esta obra conduziu a uma nova forma de colaboração criativa no seio do Miso Ensemble, com a implementação e consolidação de processos criativos conjuntos na música, dramaturgia e imagem, iniciados com Paula Azguime para as obras Yuan Zhi Yuan (1997/98), O Centro do Excêntrico do Centro do Mundo (1999/2002) e depois desenvolvidos na ópera infantil A Menina Gotinha de Água (2011) e na ópera A Laugh to Cry (2013).

As ligações entre as múltiplas actividades exercidas por Miguel Azguime, como compositor, poeta e performer, deram origem ao seu interesse pelo domínio que o próprio artista designa por “palavra-sentido / palavra-som”, numa tentativa de aproximação entre a componente semântica e metafórica da palavra e os seus parâmetros sonoros. Esta abordagem é típica não apenas nas suas peças operáticas mas também na música de câmara, instrumental e electroacústica, simultaneamente reflectindo as “viagens iniciáticas“ do compositor no processo de criação de cada obra. Vários traços destes princípios encontram-se na produção mais recente de Miguel Azguime.




Concerto
10 OUT, 19h30 | Lisboa Incomum

Adrien Moujahid: Stridor* (2025), acusmática

Alvaro Borges: Mythical Cycle III: Hephaestus on the forge (2004/05), acusmática

Pedro Pádua: Feathered Beam** (2025), para clarinete — 3.º Prémio Nano Músicos DME 2025 (Cat. Ens. Sup.), para clarinete e electrónica

Mariana Vieira: Meditação sobre a paisagem do Alentejo*** (2025)

António Sousa Dias: TêTrês (2001), acusmática

David Nguyen: The Gardens Between The Pillars**** (2025), acusmática

Carlos Caires: Limiar (2001), para clarinete e electrónica

*Prémio Fundação Annette Vande Gorne 

** 3.º Prémio Nano Músicos Electroacústicos DME 2025 (Cat. Ens. Sup.)

***Encomenda do projeto “Lá nas Árvores”, do Évora_27 – Capital Europeia da Cultura, uma parceria entre a Universidade de Évora, o Projecto DME e a Associação Lisboa Incomum — Mariana Vieira, Meditação sobre a paisagem do Alentejo

****Prémio Residência ICEM/CIME (International Confederation of Electroacoustic Music) 2023 / Residência Projecto DME / Lisboa Incomum 2025 



Catarina Crespo- Clarinete


Alvaro Borges: Mythical Cycle III: Hephaestus on the forge

Esta obra integra um projecto intitulado Mythical Cycle. Composto por quatro movimentos, cada um dividido em dois momentos, o projecto foi desenvolvido a partir de um contexto mitológico específico — a mitologia grega — fazendo referência a entidades associadas aos diferentes elementos (água, terra, fogo e ar), numa aplicação poética deste contexto enquanto veículo narrativo para a construção do discurso musical.
No que diz respeito ao discurso narrativo de Mythical Cycle III: no primeiro momento, dedicado a Hefesto, é apresentada a história do filho de Hera que, segundo a mitologia grega, foi rejeitado pela mãe devido à sua aparência e lançado do céu para o oceano. Salvo por Poseidon, cresceu e tornou-se um habilidoso artesão do ferro, responsável por satisfazer as necessidades dos deuses. É este o cenário que orienta esta parte da obra.
No segundo momento, dedicado a Prometeu, é apresentada a sua prisão numa montanha distante e isolada, acorrentado a uma rocha, como castigo por ter roubado o fogo do Olimpo e oferecido o conhecimento aos seres humanos. A sua punição consistia em ter o fígado devorado, dia após dia, por uma águia, até ser libertado por Zeus. Este episódio serviu de ponto de partida para a criação da forma, ou modelo, desta obra.
Mythical Cycle III foi composto a partir de sons pré-gravados de vozes de crianças (glissandos), explosões, acordes de massas instrumentais e síntese (texturas, grãos, impulsos, etc.).
Este material recorre, assim, amplamente ao registo — agudo/grave. O contraste entre sons ruidosos e a definição harmónica conduz tanto a direcionalidade como às dimensões espaciais. Esta parte faz ainda referência aos movimentos anteriores, através da exposição de alguns fragmentos num plano de maior distância.
No que diz respeito ao tratamento quadrifónico, foi criado um patch em Max/MSP, no qual a trajectória dos eventos sonoros foi elaborada logicamente (através do HoloEdit), de acordo com o percurso de cada objecto sonoro. Na forma global, os sons adquirem uma agitação espacial através da localização, profundidade e movimento entre os altifalantes.


Mariana Vieira: Meditação sobre a paisagem do Alentejo

Meditação sobre a paisagem do Alentejo utiliza como principal matéria sonora o som gravado de um chocalho fabricado na empresa Chocalhos Pardalinho, uma marca sonora indissociável da região do Alentejo.
Este som principal foi manipulado para criar suas variações, nomeadamente transposições que permitiram simular uma ‘orquestra’ de chocalhos a partir de um som inicial. Além desta manipulação, foi relevante na criação da peça o diálogo com outros sons gravados. Estes relacionam-se com o primeiro através da coleção de uma série de marcas que, de uma forma livre, associei à paisagem sonora alentejana (excertos de uma obra de Duarte Lobo, o canto de um pássaro e vozes que, sem terem conteúdo semântico, emergem da textura electrónica). Por outro lado, surgem também outros sons com uma associação mais direta à natureza do próprio som do chocalho –o seu carácter percussivo ou de fricção. O título visa assinalar o carácter meditativo que procurei inscrever na peça, convidando a uma escuta imaginativa e livre para criar as suas próprias associações com os sons utilizados.

Esta peça foi composta no âmbito do projeto “Lá nas Árvores” do Évora_27 - Capital Europeia da Cultura, uma parceria entre a Universidade de Évora, o Projecto DME e a Associação Lisboa Incomum.


Alvaro Borges

Alvaro Borges é compositor e investigador no campo da composição músical contemporânea e das abordagens criativas em educação musical. 

Coordenador do grupo de pesquisa Núcleo de Arte e Tecnologia (NAT) e coordenador-fundador do Laboratório de Linguagens Sonoras e Música Eletroacústica (LiSon-ME/UNESPAR), diretor-fundador do Instituto Brasileira de Áudio e Tecnologia Sonora (IBATS) e Presidente da Sociedade Brasileira de Música Eletroacústica (SBME). 

Na Universidade Estadual do Paraná, é Professor Associado vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Música, à Pós-Graduação Lato Sensu em Música Eletroacústica (coordenador-fundador) e à Licenciatura  em Música Popular. Além de orientar pesquisas e trabalhos artísticos no campo da criação e da educação musical, tem tido um papel importante na difusão da música contemporânea no cenário brasileiro pela promoção de importantes eventos artísticos-académicos como, nomeadamente, o Encontro da ABEM Regional Sudeste (2009), Encontro Internacional de Música Eletroacústica da SBME (2024), Encontro da Música Eletroacústica Brasileira da UNESPAR (2023/2025). 


© Sofia Nunes

Mariana Vieira

Mariana Vieira (Sintra, 1997) completou a licenciatura em composição e o mestrado em ensino de música na Escola Superior de Música de Lisboa (ESML), sob orientação de Jaime Reis.

O seu catálogo inclui música acusmática, mista e instrumental, para formações de música de câmara, ensemble, orquestra e a solo, bem como obras didácticas.

A sua música foi apresentada em festivais como Young Euro Classic e BachFest (Alemanha), L’Espace du Son (Bélgica), Crossroads e Echoes Around Me (Áustria), Monaco Electroacoustique (Mónaco), Aveiro_Síntese e Música Viva (Portugal).

Foi premiada com o “European Composer Award” (Alemanha), em 2017, com a sua peça Raiz, escrita para a Jovem Orquestra Portuguesa (JOP), o “Electronic Music Composition Contest” da revista Musicworks (Canadá), em 2021, e o concurso “Young Lion*ess of Acousmatic Music”, promovido pelo “The Acousmatic Project” (Áustria), em 2022.

Além da sua produção composicional, tem trabalhado em estruturas artísticas como o Projecto DME, o espaço Lisboa Incomum e a associação EMSCAN.

Enquanto bolseira da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, frequenta actualmente o Doutoramento em Artes Performativas e da Imagem em Movimento (especialização em Composição), na FBAUL (Universidade de Lisboa), em colaboração com o IPL/ESML, sob a orientação de Carlos Caires e de António Sousa Dias. É Professora Assistente Convidada na Escola de Artes da Universidade de Évora desde 2025.

mariana-vieira.net


António Sousa Dias

António de Sousa Dias (Lisboa, 1959) é compositor, performer e criador transdisciplinar, explorando a intersecção entre som, imagem e tecnologia. Professor Associado com agregação na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, onde exerce atualmente o cargo de Presidente.

O seu percurso artístico atravessa a composição instrumental, a música electroacústica, a criação audiovisual e a performance, abrangendo a música para cinema e audiovisuais – ficção, documentário, animação – e a composição de obras explorando diversos géneros (instrumental, electroacústico, misto), performance, teatro musical, instalação e o multimédia. 

A sua obra caracteriza-se por uma abordagem que tanto dialoga com a tradição como explora as potencialidades do digital e da programação na criação sonora e musical. Para além da sua atividade criativa, dedica-se à preservação do património musical, promovendo a recuperação, reinterpretação e disponibilização de obras de diferentes autores, contribuindo para a sua divulgação e redescoberta.

Jorge Carmona ©2024
Carlos Caires

Carlos Caires (n. 1968) é um compositor português de música para instrumentos solo, grupos de câmara, orquestra média e grande. 

A maioria das suas obras inclui eletrónica. Formou-se em composição pela Escola Superior de Música de Lisboa (ESML), tendo estudado com Constança Capdeville e Christopher Bochmann (composição), e com António de Sousa Dias (música eletroacústica). Mais tarde, obteve uma Maîtrise (1999), um Diplôme d’Études Approfondies (mestrado, 2000) e um doutoramento (2006, como bolseiro 
financiado pela FCT) pela Universidade de Paris 8, sob a orientação de Horacio Vaggione.

Caires iniciou a sua carreira docente no Conservatório Regional de Setúbal e no Conservatório Nacional de Música (1988-1991), antes de integrar o corpo docente da ESML, em 1992. Paralelamente à composição, prosseguiu estudos em direção coral e orquestral, frequentando vários cursos de verão em Portugal e no estrangeiro. Codirigiu o Coro da Juventude Musical Portuguesa com o maestro Paulo Lourenço e, mais tarde, foi cofundador e comaestro do Coro Ricercare, até 1998. A sua música foi apresentada em festivais em Portugal, bem como em vários países europeus, nos Estados Unidos da América e na China.

São várias as instituições e agrupamentos que têm dirigido encomendas a Carlos Caires, entre elas a Fundação Calouste Gulbenkian – ACARTE, Borealis Ensemble, Câmara Municipal de Almada, Fundação Casa da Música, Centro Cultural de Belém, Orchestra Sinfonica Nazionale della RAI/Centro Tempo Reale, Festival Aveiro-Síntese, Expo’98, Grupo de Música Contemporânea de Lisboa, Lisbon Ensemble XX/XXI, Miso Music Portugal, Companhia Nacional de Bailado e RTP/Antena 2.

Entre os galardões de composição que recebeu, destacam-se o Prémio Joly Braga Santos (1995) pela peça Al Niente, o Prémio Cláudio Carneyro (1996) por Wordpainting e o Prémio ACARTE (1998, partilhado com João Madureira) por Retábulo-Melodrama. A sua produção inclui ainda bandas sonoras e design sonoro para vários filmes de animação independentes. Nas últimas duas décadas, tem estado envolvido no desenvolvimento de software especializado para música eletroacústica e composição assistida por computador. Um dos seus projetos mais significativos é o IRIN, um software de micromontagem sonora que começou a desenvolver durante a sua investigação de doutoramento no CICM (Centro de Investigação em Informática e Criação Musical da Universidade de Paris 8) e que continua a evoluir até aos dias de hoje. Mais recentemente, o seu trabalho expandiu-se para instalações audiovisuais interativas, onde explora a integração de sensores de movimento e o processamento de som em tempo real. Como educador, desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento de cursos e projetos de tecnologia musical, informática musical e composição assistida por computador em Portugal.

Em abril de 2025, lançou O CD duplo “Os sons em volta” (Artway Next) , com obras para formações variadas abrangendo um período de quase 20 anos. 

Carlos Caires vive em Lisboa e leciona na Escola Superior de Música de Lisboa.



Concerto
11 OUT, 19h30 | Lisboa Incomum
Hugo Morais: Drawing straight lines (2026), para clarinete

Daniel Teruggi: Après une réécoute de Sud (2017), acusmática

Nuno d'Eça: The Egg* [Shortened Version] (2025), para clarinete e electrónica 

Ricardo Dal Farra: Sense (2018), acusmática

Jaime Reis: Corpos Sonoros II: filigrana árida (2026), acusmática

Rodrigo Sigal: Magnet (2016), para violino e electrónica

Clemens von Reusner: EREMIA (2024), acusmática

Marta Domingues: NOVA OBRA** (2026)

*1.º Prémio Nano Músicos Electroacústicos DME 2025 (Cat. Ens. Sup.)

** Encomenda Projecto DME



Catarina Crespo- Clarinete
Ruben Jacinto- Clarinete
Beatriz Costa (Solista Ensemble DME)- Violino


Ricardo Dal Farra: Sense 
O sentido da vida. O sentido das coisas que fazemos.
A direção em que avançamos… para onde vamos.
Complicações e complexidades que se vão suavizando com o passar do tempo, de uma forma ou de outra, para o bem, por vezes para o mal. O tempo é uma ficção que nos surpreende.
Depois da ação, dos sobressaltos, das intervenções e das infinitas buscas, a reflexão e um passo após o anterior, entre os milhares da estrada.


© Sofia Nunes

Jaime Reis

Jaime Reis (n. 1983) é um compositor português.

Estudou Composição e Música Electroacústica com João Pedro Oliveira, Emmanuel Nunes e K. Stockhausen. Continuou os seus estudos de doutoramento na Universidade Nova de Lisboa em Etnomusicologia.

O pensamento musical de Jaime Reis é informado pelo seu grande interesse pela investigação em ciências naturais e pela sua permanente atenção às tradições musicais - e, de facto, espirituais - asiáticas.

Um dos seus focos é a dinâmica das formas, forças e fluxos em música. Explora percursos polifónicos espaciais através de sistemas de som imersivos em forma de cúpula.

Outra característica marcante da sua música é a presença de conceitos complexos que sustentam a construção das suas peças, muito embora não distraindo o ouvinte da sua beleza sensível. As ideias funcionam como funções ocultas que, apesar do seu rigor intelectual, geram formas musicais voluptuosas.

Jaime Reis é professor de Composição e Música Electroacústica na Escola Superior de Música de Lisboa (ESML) e investigador no Instituto de Etnomusicologia da Universidade Nova de Lisboa. É director artístico do Festival DME e do Lisboa Incomum, que desenvolvem uma intensa actividade de investigação e criação de música erudita contemporânea.

A sua música foi tocada em todo o mundo por ensembles e músicos como Christophe Desjardins, Pierre-Yves Artaud, Aida-Carmen Soanea, Ana Telles, ensemble Fractales, Ensemble Horizonte, Grupo de Música Contemporânea de Lisboa, Machina Lírica, Orchestre de Flûtes Français e Aleph Gitarrenquartett.

Bio. redigida por Monika Streitová; retirada de jaimereis.pt; última actualização: Maio 2020. Monika Streitová, flautista e Professora na Universidade de Évora.


Marta Domingues
Ⓒ André Simões

Marta Domingues (n. 2000) é compositora. Encontra-se a terminar o Mestrado em Composição na Escola Superior de Música de Lisboa, sob a orientação dos compositores Jaime Reis e Annette Vande Gorne, com quem estuda regularmente em Bruxelas, e a frequentar em simultâneo o Mestrado em Ensino da Música com o compositor Carlos Caires.
Colaborou na organização do Projecto DME e Lisboa Incomum entre 2020 e 2024. O seu catálogo inclui obras acusmáticas, mistas e instrumentais, solo e para diversas formações. Com a sua música procura ligações entre a prática musical acusmática e a instrumental, nomeadamente nos traços energéticos do som, e na sua relação de reciprocidade com o gesto e o movimento.
A sua música tem sido apresentada em diversos contextos e festivais de música contemporânea em Portugal, Irlanda do Norte, Bélgica, França, Alemanha, Áustria, Suécia e Chipre. Foi premiada no concurso Métamorphoses 2020 (Bélgica), Young Lion*ess of Acousmatic Music (Áustria) e obteve uma recomendação na 69a edição da Tribuna Internacional de Compositores (Holanda).
A sua música está publicada pela Influx/ Musiques et Recherches (Bélgica) e edições DME/Lisboa Incomum.
Colaborou na organização do Projecto DME e Lisboa Incomum entre 2020 e 2024.


Beatriz Costa

Beatriz Costa (1996) é uma violinista portuguesa sediada em Lisboa. Graduada e mestre (cum laude) em Performance Musical pelo Conservatório Real de Bruxelas – Bélgica, graduada em violino pela Escola Superior de Artes Aplicadas, Portugal, tendo terminado o curso secundário de violino no Conservatório Nacional, em Lisboa.
Participou em workshops dedicados às práticas musicais contemporâneas com grupos como Ensemble Modern (Alemanha), Ensemble Fractales (Bélgica), Ensemble Horizonte (Alemanha) e Remix Ensemble (Portugal).
Tem tocado em países como Portugal, Espanha, Áustria, Bélgica, República Checa, Mónaco, Suécia, Brasil, Cabo Verde, e.o.
Colabora com diversos ensembles dedicados às práticas musicais contemporâneas como o Remix Ensemble, Barcelona Modern  Ensemble, Lisbon Ensemble 20/21, Concrète [Lab] Ensemble, e.o., sendo, desde 2020, violinista do Ensemble DME.
Para além da sua atividade artística, interessa-se pelo desenvolvimento de projetos artísticos, comunitários e pedagógicos, trabalho que desenvolve como produtora do Projecto DME e do Lisboa Incomum.