Festival Imersivo 2026

Festival Imersivo 2026 (5.ª Edição)
09 a 11 de Outubro de 2026 | Lisboa Incomum
O Festival Imersivo 2026 decorrerá de 9 a 11 de Outubro de 2026 no Lisboa Incomum, em Lisboa, Portugal. Este evento anual, organizado pelo Projecto DME, é dedicado à música electroacústica e coloca em destaque os sistemas de som em forma de cúpula do espaço Lisboa Incomum, proporcionando uma experiência auditiva imersiva única.
Entrada livre, mediante preenchimento do formulário de inscrição disponível aqui.
Programa
09 de Outubro (sexta-feira)
- 18h00 - Inauguração da instalação em realidade virtual desenvolvida por Ricardo Almeida [Prémio 3.ª edição Residência Artística Artes Tecnológicas e Multimédia, programa promovido pela Direção Municipal de Cultura através da Divisão de Ação Cultural da Câmara Municipal de Lisboa]
- 19h30 - Concerto Hugo Vasco Reis & Trevor McTait
10 de Outubro (sábado)
- 14h00-17h00 - Instalação em realidade virtual desenvolvida por Ricardo Almeida [Prémio 3.ª edição Residência Artística Artes Tecnológicas e Multimédia, programa promovido pela Direção Municipal de Cultura através da Divisão de Ação Cultural da Câmara Municipal de Lisboa]
- 18h00 - Mesa Redonda - “Electroacoustic Music and beyond” (David Nguyen, Adrien Moujahid, António de Sousa Dias, Carlos Caires, Ricardo Almeida e Mariana Vieira. Moderação: Jaime Reis)
- 19h30 - Concerto
11 de Outubro (domingo)
- 14h00-17h00 - Instalação em realidade virtual desenvolvida por Ricardo Almeida [Prémio 3.ª edição Residência Artística Artes Tecnológicas e Multimédia, programa promovido pela Direção Municipal de Cultura através da Divisão de Ação Cultural da Câmara Municipal de Lisboa]
- 18h00 - Mesa Redonda - “A minha voz é a tua voz” (Marta Domingues, Mariana Vieira, Isabel Alves, Pedro Félix, Ana Telles. Moderação: Jaime Reis)
- 19h30 - Concerto
Medusa - Ópera para realidade virtual e eletrónica multicanal - Instalação sonora
Inauguração: 9 OUT, 18h00 | Lisboa Incomum
Instalação: 10-11 OUT, 14h00 às 17h00 | Lisboa Incomum
Medusa é uma ópera para realidade virtual e eletrónica multicanal. Enquadrada num ciclo de três peças, de nome “sicofantas”, medusa tenta retratar a perda de autonomia e manipulação em série causada num sistema tecnofeudal quase imaginário. Através de um processo de disrupção das paisagens lisboetas, e dos seus habitantes, esta obra pretende explorar a tecnologia como lupa do ego e do sonambulismo subjacente a este.
Este trabalho utiliza o meio digital para a exploração de um espaço metafisico onde o som, o material e a luz não existem organicamente e são, por isso, instáveis. Sendo assim, a proposta artística assenta numa ideia de ópera que pode ser qualquer coisa, a qualquer momento.
Obra desenvolvida no âmbito do Prémio 3.ª edição Residência Artística Artes Tecnológicas e Multimédia, promovido pela Direção Municipal de Cultura, através da Divisão de Ação Cultural da Câmara Municipal de Lisboa.
Criação: Ricardo Almeida
Soprano: Laura Alves
Contralto: Inês Almeida
Mezzosoprano: Catarina Martins
Barítono: Carlos Flores Baltazar
Registo Audiovisual: Daniela Moreira

Ricardo Almeida
Ricardo Almeida (Lisboa, 2000) é compositor, guitarrista e investigador, focado na criação de interfaces digitais para interpretação musical e na simbiose eletroacústica com intérpretes de jazz. Licenciado em Composição pela Escola Superior de Música de Lisboa, onde estudou com Luís Tinoco, João Madureira e Carlos Caires, frequenta o mestrado em música na mesma instituição e o mestrado em Ensino da Música na Universidade de Évora, sob orientação de Pedro Amaral.
Participou em masterclasses com compositores como François Bayle, Kaija Saariaho e Thomas Adès, e, como improvisador, integrou projetos como Eco Lab, BeComposer e Texturas Ensemble, explorando eletrónica em tempo real e guitarra elétrica. Tem contribuído musicalmente para projetos de dança contemporânea, com participações em residências como Compota (2021), Jovens Compositores (2022) e a Biennial of Contemporary Arts 2023.
Concerto — Hugo Vasco Reis & Trevor McTait
9 OUT, 19h30 | Lisboa Incomum
Programa
Jaime Reis: Fluxus, Transitional Flow (2013), para viola d'arco e electrónica
Eduardo Luís Patriarca: Un Souffle, Le Rêve (2005), para viola d'arco
Hugo Vasco Reis: Re-Memory I* (2025/2026), para viola d'arco e electrónica
Ricardo Dal Farra: Sense (2018), acusmática
João Pedro Oliveira: Pulses** (2025), acusmática
Miguel Azguime: Dedans-Dehors (2018), para viola d'arco
Igor C. Silva: Terminus (2009), para viola d'arco e electrónica
*Estreia mundial, encomenda Projecto DME
**Encomenda DME - nova versão para sistema electroacústico imersivo em forma de cúpula
Hugo Vasco Reis - Electrónica
Trevor McTait - Viola d'arco
Notas de programa
Jaime Reis: Fluxus, Transitional Flow
Esta peça pertence ao ciclo Fluxus, cujas peças são inspiradas em elementos da Física e nas quais são desenvolvidos elementos musicais que se relacionam com determinados fenómenos físicos relacionados com a mecânica dos fluidos. Nesta peça em particular, encomenda do Festival Primavera, foram gravados sons de aviões do Aeroclube de Torres Vedras e utilizadas técnicas de síntese que remetessem para a ideia de um fluxo musical que parte da viola d'arco e é expandido para a electrónica, em transições que passam desde os elementos mais próximos ao material musical instrumental, como que se de um fluxo laminar (numa perspectiva física) se tratasse, até elementos mais imprevisíveis, como se de num fluxo turbulento, gerando assim um jogo constante de transições entre os diferentes materiais musicais e seus tratamentos. Foi concebida como uma peça didáctica cujas partes foram organizadas para poderem ser tocadas por alunos em níveis diferentes de modo a promover o estudo do instrumento por alunos do Ensino Artístico Especializado em práticas menos frequentes como a música electroacústica.
Eduardo Luís Patriarca: Un Souffle, Le Rêve
Un Souffle, Le Rêve integra um ciclo de obras dedicado a instrumentos de cordas. A obra parte da ideia de um “som único” e de uma escuta meditativa e contínua desse som, a partir do qual se desenvolve todo o restante material musical.
Esta abordagem estabelece uma relação com uma preocupação presente na chamada Escola Espectral, embora aqui explorada de forma particular. A atenção à natureza do som e às suas possibilidades de transformação conduz ao aparecimento de relações microtonais e de um material musical que se vai progressivamente construindo a partir desse núcleo sonoro.
A ideia de permanecer sobre um som, observá-lo e descobrir nele novas possibilidades aproxima-se de uma preocupação partilhada por compositores como Gérard Grisey, Jonathan Harvey e Georg Friedrich Haas, entre outros. Mais do que um processo puramente técnico, esta exploração assume também uma dimensão filosófica e contemplativa: o som torna-se simultaneamente ponto de partida, matéria e espaço de escuta.
Hugo Vasco Reis: Re-Memory I
“O passado é tudo menos o que já passou. É algo a que eu posso sempre voltar de novo.”
Esta citação de Martin Heidegger, em “O conceito de tempo”, serve de premissa para Re-Memory, um ciclo de obras a solo, com recurso a amplificação e/ou electrónica. Assim, em cada obra, a memória é revisitada com base na escuta e mediação de gravações de campo, realizadas pelo compositor, as quais contêm arquivos sonoros tais como, sons no interior de árvores, sons em estruturas metálicas, ou sons de debaixo de água, apenas para nomear alguns, cujo conceito se inclui, segundo o próprio, como parte do ambiente sónico silencioso. O objetivo é, através da prática artística, incitar a uma nova consciência sonora da realidade “ausente” em que todos vivemos.
Ricardo Dal Farra: Sense
O sentido da vida. O sentido das coisas que fazemos.
A direção em que avançamos… para onde vamos.
Complicações e complexidades que se vão suavizando com o passar do tempo, de uma forma ou de outra, para o bem, por vezes para o mal. O tempo é uma ficção que nos surpreende.
Depois da ação, dos sobressaltos, das intervenções e das infinitas buscas, a reflexão e um passo após o anterior, entre os milhares da estrada.
João Pedro Oliveira: Pulses
Pulses é uma peça acusmática baseada na iteração de diferentes pulsações, em diversos contextos e através de diferentes transformações.
A peça foi encomendada pelo Projecto DME (Dias de Música Electroacústica).
Miguel Azguime: Dedans-Dehors
“Inside-outside” explora uma dualidade no carácter musical da viola. Por um lado, exuberante, enérgica e brusca; por outro, delicada, íntima e ténue.
Recorrendo a técnicas instrumentais e a uma linguagem musical levadas ao extremo, esta dualidade é acentuada tanto quanto possível. A obra oscila entre momentos excessivamente rápidos e agressivos e outros construídos a partir das sonoridades mais suaves e de frases longamente dilatadas no tempo.
A obra prevê também a possibilidade de utilização de eletrónica em tempo real. Na presente ocasião, é apresentada na sua versão para viola solo.
Igor C. Silva: Terminus
Esta peça representa o fim de tudo aquilo que conhecemos. É uma forma de expressar as cores e os sentimentos associados a todos os ciclos que chegam ao fim. Uma peça para viola e electrónica que explora a ideia de espaço como lugar de ressonância e suspensão, onde o som se estende para além do gesto instrumental. Entre a noção de fim e a contemplação, a música habita um território liminar em que cada som parece persistir, observar e desaparecer lentamente.
Biografias

Hugo Vasco Reis
Hugo Vasco Reis (Lisboa, 1981) é compositor e investigador, a viver no Porto. A sua prática artística estende-se à música acústica, música electroacústica e instalações sonoras, realizando colaborações com músicos e artistas visuais, que apresentam regularmente as suas obras por toda a Europa.
A sua música está documentada num vasto catálogo de partituras e álbuns, tendo sido premiada ou selecionada em diversos concursos nacionais e internacionais.
As suas composições recentes incluem uma investigação sobre os fenómenos sonoros e de percepção, abordando agências de escuta e mediação, com o objetivo de incluir sons aparentemente silenciosos do ambiente sonoro na prática artística.
Atualmente é doutorando na University of Music and Performing Arts Graz, KUG (Áustria), como bolseiro da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Estudou composição com Isabel Mundry na Zurich University of the Arts, ZHdK (Zurique, Suíça), como bolseiro da Fondation Nicati-de Luze, com Mark André e Stefan Prins na Hochschule für Musik Dresden (Dresden, Alemanha) e com António Pinho Vargas, Luís Tinoco e Sérgio Azevedo na Escola Superior de Música de Lisboa (Lisboa). Teve aulas particulares e masterclasses com os compositores Toshio Hosokawa, Chaya Czernowin, Hans Tutschku, Dieter Ammann, Franck Bedrossian, Barry Truax, Zigmunt Krauze, Åke Parmerud, Carola Bauckholt, Klaus Lang, Peter Ablinger, entre outros.
As suas obras têm sido apoiadas pelo Ministério da Cultura de Portugal, DGArtes, Antena 2, Câmara Municipal de Lisboa, SPAutores, GDA, Coro Setúbal Voz, Síntese GMC, Musicamera, Borealis Ensemble, MPMP, Duo Sigma, Arte no Tempo, ZHdK Foundation, Momento Foundation, Graf-Fonds, Gaudeamus, KWDS, Trio Elogio, GMCL, Drumming, Vertixe Sonora, Collective Lovemusic, QCC String Quartet, Trio Piazzolla Lisboa, Orchestra della Svizzera Italiana, Miso Music Portugal, RePercussion Trio, Orquestra Portuguesa de Guitarras e Bandolins, Trio Funkloch e Kuratorium Aargau.
As suas partituras encontram-se editadas e disponíveis no MIC.PT – Centro de Investigação e Informação da Música Portuguesa.
Estudou também guitarra portuguesa no Conservatório de Música do Porto e na classe de Pedro Caldeira Cabral. É engenheiro civil, embora atualmente não exerça essa profissão.

Trevor McTait
Trevor McTait é violetista principal do Remix Ensemble e da Orquestra Barroca da Casa da Música, e professor de música de câmara na Escola Profissional de Música de Espinho. Em 2026, lançou Fifty-Fifty, um álbum dedicado à música portuguesa contemporânea para viola solo e viola com eletrónica, e Ténue, um segundo álbum inteiramente dedicado à obra do compositor Hugo Vasco Reis.
Em Londres, trabalhou regularmente com a Orquestra Sinfónica da BBC e a Philharmónica de Londres, participando, entre outros, nos concertos dos BBC Proms, e integrou o Archinto String Quartet e o Chroma, ensemble dedicado à música contemporânea. Ao longo da sua carreira, apresentou-se em algumas das mais importantes salas internacionais, incluindo o Carnegie Hall, em Nova Iorque, o Symphony Hall, em Washington D.C., a Philharmonie de Berlim e o Esplanade Theatre de Singapura, bem como nas principais salas de concerto de Londres. Em contexto orquestral, trabalhou sob a direção de maestros como Bernard Haitink, Vladimir Ashkenazy, Semyon Bychkov, Jukka-Pekka Saraste, Jiří Bělohlávek, Sir Colin Davis e Leonard Slatkin, entre outros, e colaborou com solistas de renome como Maxim Vengerov, Yuri Bashmet, Evgeny Kissin, Steven Isserlis e Fabio Biondi. A sua discografia inclui gravações com a BBC Symphony Orchestra, o Remix Ensemble, a Orquestra Barroca da Casa da Música e a MusikFabrik, entre outras formações.
A sua atividade artística cruza a música contemporânea, a música antiga e a música de câmara. Ao longo da carreira, colaborou com diversos ensembles internacionais, incluindo a MusikFabrik, de Colónia, a Basel Sinfonietta e os New London Soloists, entre outros. Em Portugal, é convidado regularmente a atuar com a Orquestra D'Aquém Mar. Foi também violetista principal da Orquestra Clássica do Centro, da Orquestra de Espinho e da Orquestra Costa Atlântica, tendo colaborado ainda com artistas de diferentes áreas, como Mariza, César Mourão, S. Pedro, Miguel Araújo, Diogo Piçarra e Mão Morta.
Nascido em Hertfordshire, Inglaterra, obteve um mestrado em Música pela Universidade de Cambridge e o DipRAM pela Royal Academy of Music, em Londres, onde foi bolseiro Leverhulme para música de câmara. Estudou viola com violetistas como Martin Outram, Rivka Golani, Paul Silverthorne, Jerzy Kozmala, Atar Arad e John White, e trabalhou música de câmara com músicos como Sigmund Nissel, do Amadeus Quartet, Sandor Devich, do Bartók Quartet, Sir Colin Davis e diversos quartetos de referência. Entre 1998 e 2000, foi violetista solista A da European Union Youth Orchestra, sob a direção de Vladimir Ashkenazy e Bernard Haitink.
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© Sofia Nunes
Jaime Reis
Jaime Reis (n. 1983) é um compositor português.
Estudou Composição e Música Electroacústica com João Pedro Oliveira, Emmanuel Nunes e K. Stockhausen. Continuou os seus estudos de doutoramento na Universidade Nova de Lisboa em Etnomusicologia.
O pensamento musical de Jaime Reis é informado pelo seu grande interesse pela investigação em ciências naturais e pela sua permanente atenção às tradições musicais - e, de facto, espirituais - asiáticas.
Um dos seus focos é a dinâmica das formas, forças e fluxos em música. Explora percursos polifónicos espaciais através de sistemas de som imersivos em forma de cúpula.
Outra característica marcante da sua música é a presença de conceitos complexos que sustentam a construção das suas peças, muito embora não distraindo o ouvinte da sua beleza sensível. As ideias funcionam como funções ocultas que, apesar do seu rigor intelectual, geram formas musicais voluptuosas.
Jaime Reis é professor de Composição e Música Electroacústica na Escola Superior de Música de Lisboa (ESML) e investigador no Instituto de Etnomusicologia da Universidade Nova de Lisboa. É director artístico do Projecto DME e do Lisboa Incomum, que desenvolvem uma intensa actividade de investigação e criação de música erudita contemporânea.
A sua música foi tocada em todo o mundo por ensembles e músicos como Christophe Desjardins, Pierre-Yves Artaud, Aida-Carmen Soanea, Ana Telles, ensemble Fractales, Ensemble Horizonte, Grupo de Música Contemporânea de Lisboa, Machina Lírica, Orchestre de Flûtes Français e Aleph Gitarrenquartett.
Bio. por Monika Streitová, flautista e Professora na Universidade de Évora; retirada de jaimereis.pt; actualizada em Maio 2020.

Eduardo Luís Patriarca
Nascido na cidade do Porto, em abril de 1970, estudou composição e piano. Frequentou o Mestrado e Doutoramento na Universidade de Aveiro sob orientação de Isabel Soveral.
A sua escrita está ligada ao Budismo, é remanescente da Escola espectral, com uso frequente de fractais e de padrões próximos ao conceito de mantras, de onde derivam ideias de ciclos e policiclos, resultantes de um pensamento polifónico derivado das estéticas medievais e renascentistas.

Ricardo Dal Farra
Professor de música e artes eletrónicas na Concordia University, Canadá. Fundador-diretor do Centro de Experimentação e Pesquisa em Artes Eletrónicas da Universidade Nacional de Tres de Febrero (UNTREF), Argentina. Diretor dos simpósios internacionais Balance-Unbalance (BunB) sobre arte-ciência e a crise ambiental; e Understanding Visual Music (UVM). Dal Farra foi diretor do Hexagram Centre for Research-Creation in Media Arts and Technologies, Canadá; coordenador da Área de Comunicação Multimédia do Ministério da Educação, Argentina; pesquisador do Music, Technology and Innovation Research Centre da De Montfort University, Reino Unido; coordenador da aliança internacional DOCAM - Documentation and Conservation of the Media Arts Heritage; consultor sénior do Amauta New Media Art Centre de Cusco, Peru; e pesquisador da UNESCO, França, para seu projeto Digi-Arts. Ele co-desenhou o programa universitário de Artes Eletrônicas na UNTREF, e o programa de Produção Musical na Escola Técnica ORT, na Argentina. Criador da Coleção Latino-Americana de Música Eletroacústica, hospedada pela Fundação Daniel Langlois, Canadá. Membro do conselho editorial de Leonardo (MIT Press), Organised Sound (Cambridge Press), Resonance (University of California Press) e Artnodes (UOC), e do conselho diretor do ISEA International (anteriormente International Symposium on Electronic Arts). Ph.D. em Artes, Pós-doutorado em Arte-ciência - Transdisciplina e Inovação Aplicadas, Dal Farra é um compositor e artista especializado em ações transdisciplinares com ciência e tecnologias emergentes.

João Pedro Oliveira
João Pedro Oliveira ocupa o cargo de Corwin Endowed Chair em Composição na Universidade da Califórnia em Santa Barbara. Estudou orgão, composição e arquitetura em Lisboa. Concluiu o doutoramento em Música na Universidade de New York em Stony Brook. Sua música inclui composições orquestrais, música de câmara, música eletroacústica e vídeo experimental.
Recebeu mais de 70 prémios internacionais pelas suas obras, incluindo o prestigiado Guggenheim Fellowship em 2023, bem como o Magisterium de Bourges e Prémio Giga-Hertz, o 1.º Prémio no concurso Metamorphoses, o 1.º Prémio no concurso Musica Nova. Foi professor na Universidade de Aveiro e na Universidade Federal de Minas Gerais.
Publicou diversos artigos em revistas nacionais e internacionais, e escreveu um livro sobre teoria analítica da música do século XX.

© Jorge Carmona
Miguel Azguime
Distinguido pela sua versatilidade, o universo criativo de Miguel Azguime reflecte uma abordagem que se baseia nas suas capacidades multifacetadas enquanto compositor, performer e poeta, sendo que esta tridimensionalidade desafia concomitantemente uma certa visão quase mística da arte.
Os inícios do seu percurso musical são marcados pela participação em várias formações de jazz e improvisação, pelos estudos de percussão com Catarina Latino, Júlio Campos e Gaston Sylvestre, e também pela participação em vários cursos e seminários de composição, por exemplo em Darmstadt, e ainda com Emmanuel Nunes e com Tristan Murail.
Um momento decisivo do seu percurso ocorreu em 1982 através do contacto com o flautista Pierre-Yves Artaud. Assim nasceu o Miso Ensemble, um duo de flauta e percussão, criado por Paula Azguime e Miguel Azguime em 1985, que desde o início se distinguiu pela procura de uma outra forma de fazer música, incluindo o uso de amplificação e de meios electrónicos. A filosofia muito própria do Miso Ensemble reflecte-se no seu nome: MISO, um ingrediente tradicional da culinária japonesa feito a partir de um longo processo de maturação, que vai ao encontro de um ideal de vida, pessoal e colectiva.
A partir dos anos 90 a dupla artística, Paula e Miguel Azguime, começou a desenvolver a sua actividade no estrangeiro em colaboração com outros intérpretes e compositores. Esta foi também a altura em que Miguel Azguime iniciou uma transição na escrita composicional, de uma forma mais livre para uma forma mais rigorosa, com a utilização quase sistemática de meios electrónicos em tempo real. Esta transformação propiciou a sua afirmação enquanto compositor, cuja música e linguagem pessoal é hoje em dia amplamente reconhecida.
Paralelamente à sua actividade criativa Miguel Azguime permanece dedicado à promoção e difusão da música de invenção e pesquisa e em particular de compositores portugueses, tanto como fundador da Miso Music Portugal, como director artístico da editora Miso Records e do Festival Música Viva, e ainda como fundador do Miso Studio e do Sond’Ar-te Electric Ensemble. Em 1995 desenvolveu também a Orquestra de Altifalantes, um projecto dedicado exclusivamente à interpretação da música electroacústica; e ainda em 2003, juntamente com Paula Azguime, fundou o Centro de Investigação & Informação da Música Portuguesa, uma plataforma digital de investigação, preservação, comunicação e base de dados, disponível em www.mic.pt, sobre o património musical português do presente para o passado, incluindo documentos numerosos em vários formatos assim como edição e distribuição de partituras.
No percurso composicional de Miguel Azguime mais um dos momentos decisivos constitui certamente a residência da DAAD em Berlim (2006), contexto que propiciou a criação e produção da ópera multimédia Itinerário do Sal – o culminar de um processo de integração entre escrita poética e escrita musical. Esta obra conduziu a uma nova forma de colaboração criativa no seio do Miso Ensemble, com a implementação e consolidação de processos criativos conjuntos na música, dramaturgia e imagem, iniciados com Paula Azguime para as obras Yuan Zhi Yuan (1997/98), O Centro do Excêntrico do Centro do Mundo (1999/2002) e depois desenvolvidos na ópera infantil A Menina Gotinha de Água (2011) e na ópera A Laugh to Cry (2013).
As ligações entre as múltiplas actividades exercidas por Miguel Azguime, como compositor, poeta e performer, deram origem ao seu interesse pelo domínio que o próprio artista designa por “palavra-sentido / palavra-som”, numa tentativa de aproximação entre a componente semântica e metafórica da palavra e os seus parâmetros sonoros. Esta abordagem é típica não apenas nas suas peças operáticas mas também na música de câmara, instrumental e electroacústica, simultaneamente reflectindo as “viagens iniciáticas” do compositor no processo de criação de cada obra. Vários traços destes princípios encontram-se na produção mais recente de Miguel Azguime.

Igor C. Silva
Nascido no Porto e atualmente a viver em Amesterdão, Igor C Silva é um compositor dedicado à música eletrónica e às novas tecnologias, criando projetos que cruzam intérpretes, computadores e elementos sonoros e visuais, resultando em experiências multissensoriais. Trabalha regularmente com ensembles, intérpretes e orquestras, tendo recebido diversas encomendas de ensembles e festivais e publicado gravações da sua música.
Igor C Silva colabora também regularmente com solistas, ensembles e grupos de jazz, dedicando parte da sua atividade musical à improvisação e a performances interativas com recurso a eletrónica e ferramentas multimédia.
Foi Jovem Compositor Residente na Casa da Música em 2012, Compositor Residente nos Miso Music Studios em 2015 e compositor residente do Drumming GP em 2018/19. Em 2018, a sua obra Plastic Air, para duo flexível, eletrónica e vídeo/luz, recebeu uma recomendação no International Rostrum of Composers, na Hungria.
Recebeu vários prémios, entre os quais o 1.º Prémio no 1st International Electroacoustic and Intermedial Composition Competition “eviMus”, na Alemanha, com Numb, e o 1.º Prémio no Concurso Internacional de Composição GMCL/Jorge Peixinho, em Portugal, com Blood Ink.
É cofundador do Trash Panda Collective.
Entre os seus projetos destacam-se a criação de uma nova ópera multimédia para Stephanie Pan e Ensemble Klang, com texto de Aaron Landsman, e novas obras para ensemble e eletrónica. A sua música tem sido apresentada em diversos países, incluindo os Países Baixos, Bélgica, Espanha, EUA, Portugal, Alemanha, França, Japão, Reino Unido, Finlândia e Argentina.
Igor C Silva licenciou-se em Composição na Escola Superior de Música, Artes e Espetáculo (ESMAE) em 2011 e concluiu o Mestrado em Composição e Teoria Musical em 2013. Participou ainda em seminários com compositores como Magnus Lindberg, Jonathan Harvey, Pauline Oliveros, Kaija Saariaho, Wolfgang Mitterer e Pascal Dusapin, entre outros.
Em 2017 concluiu um Mestrado em Live Electronics no Conservatorium van Amsterdam. É atualmente doutorando na VUB e no Koninklijk Conservatorium Brussel, onde leciona também no curso de Live Electronics.
Mesa-redonda “Electroacoustic Music and beyond”
10 OUT, 18h00 | Lisboa Incomum
No dia 10 de Outubro vamos partir do título “Electroacoustic Music and beyond”, e conversar sobre as diferentes práticas relacionadas com música electroacústica tais como a música acusmática, a música instrumental com eletrónica, a espacialização imersiva, a realidade virtual, as gravações de campo, a perceção sonora e as práticas interdisciplinares. Estarão presentes os compositores David Quang-Minh Nguyen, Adrien Moujahid, António de Sousa Dias, Carlos Caires, Ricardo Almeida e Mariana Vieira.
Conversa moderada pelo compositor Jaime Reis.
Participantes: David Nguyen · Adrien Moujahid · António de Sousa Dias · Carlos Caires · Ricardo Almeida · Mariana Vieira
Moderação: Jaime Reis
Concerto
10 OUT, 19h30 | Lisboa Incomum
Programa
Adrien Moujahid: Stridor* (2025), acusmática
Alvaro Borges: Mythical Cycle III: Hephaestus on the forge (2004/05), acusmática
Pedro Pádua: Feathered Beam** (2025), para clarinete e electrónica
Mariana Vieira: Meditação sobre a paisagem do Alentejo*** (2025)
António Sousa Dias: TêTrês (2001), acusmática
David Nguyen: The Gardens Between The Pillars**** (2025), acusmática
Carlos Caires: Limiar (2001), para clarinete e electrónica
*Prémio Fundação Annette Vande Gorne
**3.º Prémio Nano Músicos Electroacústicos DME 2025 (Cat. Ens. Sup.)
***Encomenda do projeto “Lá nas Árvores”, do Évora_27 – Capital Europeia da Cultura, uma parceria entre a Universidade de Évora, o Projecto DME e a Associação Lisboa Incomum
****Prémio Residência ICEM/CIME (International Confederation of Electroacoustic Music) 2023 / Residência Projecto DME / Lisboa Incomum 2025
Catarina Crespo - Clarinete
Notas de programa
Adrien Moujahid: Stridor
Stridor toma o seu nome do assobio provocado pela obstrução das vias respiratórias. É construído quase inteiramente a partir de gravações de ar a escapar — o fole de um acordeão, um balão de borracha, palhinhas de diferentes calibres — e é escrito à escala da respiração: valores longos, sustentados através de novas inspirações, até que alguns se prolongam para além do que um corpo seria capaz de suportar. Num jogo de inspirações, expirações e respiração suspensa, as incursões sibilam, os desconfortos guincham e, por vezes, o alívio deixa escapar o ar.
Composta no Conservatoire royal de Mons, durante o mestrado em composição acousmática.
Alvaro Borges: Mythical Cycle III: Hephaestus on the forge
Esta obra integra um projecto intitulado Mythical Cycle. Composto por quatro movimentos, cada um dividido em dois momentos, o projecto foi desenvolvido a partir de um contexto mitológico específico — a mitologia grega — fazendo referência a entidades associadas aos diferentes elementos (água, terra, fogo e ar), numa aplicação poética deste contexto enquanto veículo narrativo para a construção do discurso musical.
No que diz respeito ao discurso narrativo de Mythical Cycle III: no primeiro momento, dedicado a Hefesto, é apresentada a história do filho de Hera que, segundo a mitologia grega, foi rejeitado pela mãe devido à sua aparência e lançado do céu para o oceano. Salvo por Poseidon, cresceu e tornou-se um habilidoso artesão do ferro, responsável por satisfazer as necessidades dos deuses. É este o cenário que orienta esta parte da obra.
No segundo momento, dedicado a Prometeu, é apresentada a sua prisão numa montanha distante e isolada, acorrentado a uma rocha, como castigo por ter roubado o fogo do Olimpo e oferecido o conhecimento aos seres humanos. A sua punição consistia em ter o fígado devorado, dia após dia, por uma águia, até ser libertado por Zeus. Este episódio serviu de ponto de partida para a criação da forma, ou modelo, desta obra.
Mythical Cycle III foi composto a partir de sons pré-gravados de vozes de crianças (glissandos), explosões, acordes de massas instrumentais e síntese (texturas, grãos, impulsos, etc.).
Este material recorre, assim, amplamente ao registo — agudo/grave. O contraste entre sons ruidosos e a definição harmónica conduz tanto a direcionalidade como às dimensões espaciais. Esta parte faz ainda referência aos movimentos anteriores, através da exposição de alguns fragmentos num plano de maior distância.
No que diz respeito ao tratamento quadrifónico, foi criado um patch em Max/MSP, no qual a trajectória dos eventos sonoros foi elaborada logicamente (através do HoloEdit), de acordo com o percurso de cada objecto sonoro. Na forma global, os sons adquirem uma agitação espacial através da localização, profundidade e movimento entre os altifalantes.
Pedro Pádua: Feathered Beam
O título desta peça nasce de uma procura intensiva por um programa de notação musical substituto ao Finale, que me permitisse escrever Feathered Beams, que consistem em ritardandi ou accelerandi dentro de um certo número de figuras. Estas Feathered Beams são uma figura central desta peça, aparecendo bastantes vezes ao longo da música, tanto no clarinete como na eletrónica. Esta peça ronda aquilo que é o diálogo entre o instrumento e a eletrónica, algumas vezes atuando como um só.
Mariana Vieira: Meditação sobre a paisagem do Alentejo
Meditação sobre a paisagem do Alentejo utiliza como principal matéria sonora o som gravado de um chocalho fabricado na empresa Chocalhos Pardalinho, uma marca sonora indissociável da região do Alentejo.
Este som principal foi manipulado para criar suas variações, nomeadamente transposições que permitiram simular uma ‘orquestra’ de chocalhos a partir de um som inicial. Além desta manipulação, foi relevante na criação da peça o diálogo com outros sons gravados. Estes relacionam-se com o primeiro através da coleção de uma série de marcas que, de uma forma livre, associei à paisagem sonora alentejana (excertos de uma obra de Duarte Lobo, o canto de um pássaro e vozes que, sem terem conteúdo semântico, emergem da textura electrónica). Por outro lado, surgem também outros sons com uma associação mais direta à natureza do próprio som do chocalho – o seu carácter percussivo ou de fricção. O título visa assinalar o carácter meditativo que procurei inscrever na peça, convidando a uma escuta imaginativa e livre para criar as suas próprias associações com os sons utilizados.
Esta peça foi composta no âmbito do projeto “Lá nas Árvores” do Évora_27 - Capital Europeia da Cultura, uma parceria entre a Universidade de Évora, o Projecto DME e a Associação Lisboa Incomum.
António Sousa Dias: TêTrês
O título TêTrês permite dois tipos de referências: por um lado, remete para a designação T3 de uma tipologia habitacional; por outro, pode ler-se como Tetris, jogo baseado no encaixe de peças de diferentes formas. Assim, TêTrês comporta situações que remetem umas para as outras e que, mais do que se apresentarem sob a forma de andamentos distintos, se sobrepõem, interpenetram e interagem, criando zonas — ou lugares — que se movem no tempo.
As diferentes situações recebem nomes imaginários, livremente associados ao universo de uma habitação, não como designações de partes ou espaços específicos, mas como formas de expandir o campo de associações sugerido pela obra: «Hall das memórias», «O quarto Dormir», «Corredor de fundo» e até «Notas no rodapé», entre outros.
Apesar da possibilidade de estabelecer associações livres entre estas referências e a música, TêTrês não é uma obra programática. Concebida para a Orquestra de Altifalantes de Miguel Azguime, procura explorar, através dela, diferentes localizações da projecção sonora, a partir de uma disposição quadrifónica de base rigorosamente determinada.
António de Sousa Dias
Janeiro de 2001 (rev. 2026)
David Nguyen: The Gardens Between The Pillars
The Gardens Between the Pillars é um dos cinco movimentos de The Elemental Cycles, em que cada ciclo utiliza um elemento primordial como personagem principal. Na verdade, os cinco ciclos são considerados obras de «cinema para o ouvido».
Neste ciclo, o único elemento utilizado é a madeira, incluindo imagens sonoras relacionadas com este material. Há livros e portas que rangem, superfícies de madeira sobre as quais caminham passos regulares e irregulares, o fluxo das árvores associado a The Pillars, assim como criaturas divinas e terrenas, e uma música simultaneamente pura e distorcida, áspera e irregular, que acompanha este cinema para o ouvido.
The Gardens, antes de mais, é constituído por cenas interiores e exteriores, movimentos e projecções, e pelo surgimento de sons figurativos e explícitos a partir da descentralização de The Pillars.
Em busca de uma narrativa, as portas abrem-se e fecham-se, as páginas viram-se. A dualidade das imagens representa:
Teoria e Conhecimento
Beleza e Violência
Vida e Morte
Tentação e Iluminação
A dualidade destas imagens sonoras contém o mesmo movimento — «não dois»: Advaya.
The Pillars aponta para a transcendência desta dualidade através da redistribuição das imagens sonoras, da função do som e dos movimentos, como formas de percorrer The Gardens.
Entre The Pillars encontram-se os caminhos, que revelam a interligação do natural, a intercomplexidade do que é cultivado e a intervenção nas cenas através da inserção, que frequentemente faz com que aquilo que é representado pareça horrífico e cruel.
À distância, reconhecemos The Gardens como um labirinto gestáltico.
De perto, percebemos os muitos, muitos caminhos e narrativas.
Entre The Pillars, somos confrontados com as implicações de sons que não têm princípio nem fim.
Um caminhante liberta-se da ilusão na floresta infinita.
Uma região de árvores Everblossom, uma vida de beleza efémera.
É a escultura mundana dos reinos do baixo e alto-relevo, do Divino e do Mortal.
Uma imersão num rizoma sem limites — um quiasma de atribuição sonora.
Uma imersão em todos os materiais de madeira tal como são percepcionados.
Uma dualidade tem de ser compreendida para percorrer o caminho em toda a sua extensão.
E ouvi-la-ás em tudo.
Carlos Caires: Limiar
Limiar, para clarinete solo e electrónica, resultou de uma encomenda da Fundação Centro Cultural de Belém para um espectáculo de música e dança. Foi estreada em Lisboa (CCB) em Outubro de 2002, interpretada por Vitor Pereira (Remix Ensemble), dançada por Martin Nachbar segundo uma coreografia de Lilia Mestre. Limiar é um caminho que se percorre entre vários pares de extremos: da composição do “ruído” à organização das “notas”, da quase-irregularidade à quase-regularidade, do grave ao agudo, do desfocado ao definido, do vazio ao preenchido. A ideia não é a de procurar uma verdadeira integração entre o mundo instrumental e o electrónico, mas antes propor uma lenta transformação de um no outro.
Biografias

Adrien Moujahid
Adrien Moujahid é artista sonoro e compositor de música electroacústica e acusmática, residente em Bruxelas, Bélgica. É formado pelo Conservatoire royal de Mons, onde concluiu um mestrado em composição acusmática. Aborda o microfone como o seu instrumento principal, extraindo o seu material de gravações próximas de corpos e objetos, que depois compõe para difusão em altifalantes e para o acousmonium. A sua música foi apresentada na Bélgica e em França, e é o beneficiário da bolsa da Fondation Annette Vande Gorne para 2025–2026.

Alvaro Borges
Alvaro Borges é compositor e investigador no campo da composição músical contemporânea e das abordagens criativas em educação musical.
Coordenador do grupo de pesquisa Núcleo de Arte e Tecnologia (NAT) e coordenador-fundador do Laboratório de Linguagens Sonoras e Música Eletroacústica (LiSon-ME/UNESPAR), diretor fundador do Instituto Brasileira de Áudio e Tecnologia Sonora (IBATS) e Presidente da Sociedade Brasileira de Música Eletroacústica (SBME).
Na Universidade Estadual do Paraná, é Professor Associado vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Música, à Pós-Graduação Lato Sensu em Música Eletroacústica (coordenador-fundador) e à Licenciatura em Música Popular. Além de orientar pesquisas e trabalhos artísticos no campo da criação e da educação musical, tem tido um papel importante na difusão da música contemporânea no cenário brasileiro pela promoção de importantes eventos artísticos-académicos como, nomeadamente, o Encontro da ABEM Regional Sudeste (2009), Encontro Internacional de Música Eletroacústica da SBME (2024), Encontro da Música Eletroacústica Brasileira da UNESPAR (2023/2025).

Pedro Pádua
Pedro Pádua nasceu em 2006 em Braga. Frequentou o Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga onde estudou composição com Paulo Bastos. Atualmente frequenta o segundo ano do curso de composição na Escola Superior de Música de Lisboa (ESML), sob orientação de Jaime Reis.
A sua peça acusmática Entre Espaços foi selecionada pelo Projeto DME para ser apresentada no Electroacoustic Spring 2025 em Rethymno (Grécia).
Recentemente, obteve o 3.º lugar na 14.ª edição do Concurso Nano Músicos Electroacústicos com a sua peça Feathered Beam, para clarinete em si bemol e eletrónica fixa.
© Sofia Nunes
Mariana Vieira
Mariana Vieira (Sintra, 1997) completou a licenciatura em composição e o mestrado em ensino de música na Escola Superior de Música de Lisboa (ESML), sob orientação de Jaime Reis.
O seu catálogo inclui música acusmática, mista e instrumental, para formações de música de câmara, ensemble, orquestra e a solo, bem como obras didácticas.
A sua música foi apresentada em festivais como Young Euro Classic e BachFest (Alemanha), L’Espace du Son (Bélgica), Crossroads e Echoes Around Me (Áustria), Monaco Electroacoustique (Mónaco), Aveiro_Síntese e Música Viva (Portugal).
Foi premiada com o “European Composer Award” (Alemanha), em 2017, com a sua peça Raiz, escrita para a Jovem Orquestra Portuguesa (JOP), o “Electronic Music Composition Contest” da revista Musicworks (Canadá), em 2021, e o concurso “Young Lion*ess of Acousmatic Music”, promovido pelo “The Acousmatic Project” (Áustria), em 2022.
Além da sua produção composicional, tem trabalhado em estruturas artísticas como o Projecto DME, o espaço Lisboa Incomum e a associação EMSCAN.
Enquanto bolseira da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, frequenta actualmente o Doutoramento em Artes Performativas e da Imagem em Movimento (especialização em Composição), na FBAUL (Universidade de Lisboa), em colaboração com o IPL/ESML, sob a orientação de Carlos Caires e de António Sousa Dias. É Professora Assistente Convidada na Escola de Artes da Universidade de Évora desde 2025.
mariana-vieira.net
António Sousa Dias
António de Sousa Dias (Lisboa, 1959) é compositor, performer e criador transdisciplinar, explorando a intersecção entre som, imagem e tecnologia. Professor Associado com agregação na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, onde exerce atualmente o cargo de Presidente.
O seu percurso artístico atravessa a composição instrumental, a música electroacústica, a criação audiovisual e a performance, abrangendo a música para cinema e audiovisuais – ficção, documentário, animação – e a composição de obras explorando diversos géneros (instrumental, electroacústico, misto), performance, teatro musical, instalação e o multimédia.
A sua obra caracteriza-se por uma abordagem que tanto dialoga com a tradição como explora as potencialidades do digital e da programação na criação sonora e musical. Para além da sua atividade criativa, dedica-se à preservação do património musical, promovendo a recuperação, reinterpretação e disponibilização de obras de diferentes autores, contribuindo para a sua divulgação e redescoberta.

David Nguyen
David Quang-Minh Nguyen (n. 1990) é artista sonoro, designer de som/misturador de regravação e compositor, dedicando o seu trabalho aos meios electroacústico e acusmático. Os seus interesses actuais centram-se na composição de obras de carácter narrativo, nas quais o significado e o som se tornam componentes fundamentais para o desenvolvimento das suas criações. Tem-se dedicado também à importância da espacialização sonora e do áudio imersivo 3D, trabalhando com Dolby Atmos, Ambisonics (Higher-Order Ambisonics), entre outros.
É um compositor reconhecido a nível nacional e internacional, com obras apresentadas em numerosos eventos por todo o mundo. Desde que passou a dedicar-se à música acusmática imersiva, todas as suas composições foram finalistas, receberam menções honrosas ou foram distinguidas em várias competições.
As suas obras foram editadas pela ABLAZE Records, na publicação Electronic Masters Vol. 7, tendo recebido uma menção honrosa no XII Destellos Electroacoustic Competition, em 2019. Obteve ainda o 2.º lugar na XIII edição do concurso Destellos, com Adumbrations, foi finalista do PRIX CIME 2019 e recebeu o 2.º prémio do ASCAP/SEAMUS Award com a obra Weight Stranding. Em 2021, a sua obraWhale Song Stranding, encomendada pela SEAMUS, foi seleccionada para integrar o CD SEAMUS 31 e recebeu uma selecção do Ars Electronica Forum Wallis. Em 2023, David recebeu o Prix CIME Residency Award pela obra Whale Song Stranding. A sua obra Texture Arc the Points conquistou o 1.º lugar no ULJUS Međunarodno Pijanističko Takmičenje Smederevo Competition e o 2.º lugar no prestigiado 13.º Concours Biennal de Composition Acousmatique Métamorphoses.
David participou em masterclasses individuais de composição com Roger Reynolds e Brian Ferneyhough. Foi participante activo nos Seminários de Composição DME, sob a direcção de Åke Parmerud, onde se dedicou à difusão em tempo real, e na Musique & Recherches Académie d’été de composition électroacoustique, sob a direcção de Annette Vande Gorne e João Pedro Oliveira, onde aprofundou os seus conhecimentos de composição multicanal. Foi também seleccionado pelo mestre Robert Normandeau para uma residência no Atlantic Center for the Arts, onde teve o primeiro contacto com práticas acusmáticas relacionadas com o conceito de «cinema para o ouvido» e com a música electrónica para sistemas de altifalantes em cúpula.
David Q. Nguyen é licenciado em Composição Musical pela Old Dominion University, onde estudou com Andrey R. Kasparov e Mark Chambers. Concluiu posteriormente o Mestrado e o Doutoramento em Artes Musicais (DMA) em Composição Musical na University of Illinois Urbana-Champaign, onde passou mais de 10 000 horas nos Experimental Music Studios — aproximadamente oito horas por dia, sete dias por semana, sem interrupções —, descritos como o «segundo estúdio de música electrónica desenvolvido nos Estados Unidos» e a «primeira infraestrutura de música electroacústica formalmente reconhecida nos Estados Unidos». Na UIUC, os seus principais professores foram Eli Fieldsteel, Erik Lund, Reynold Tharp, Sever Tipei e Scott A. Wyatt.
© Jorge Carmona 2024
Carlos Caires
Carlos Caires (n. 1968) é um compositor português de música para instrumentos solo, grupos de câmara, orquestra média e grande.
A maioria das suas obras inclui eletrónica. Formou-se em composição pela Escola Superior de Música de Lisboa (ESML), tendo estudado com Constança Capdeville e Christopher Bochmann (composição), e com António de Sousa Dias (música eletroacústica). Mais tarde, obteve uma Maîtrise (1999), um Diplôme d’Études Approfondies (mestrado, 2000) e um doutoramento (2006, como bolseiro financiado pela FCT) pela Universidade de Paris 8, sob a orientação de Horacio Vaggione.
Caires iniciou a sua carreira docente no Conservatório Regional de Setúbal e no Conservatório Nacional de Música (1988-1991), antes de integrar o corpo docente da ESML, em 1992. Paralelamente à composição, prosseguiu estudos em direção coral e orquestral, frequentando vários cursos de verão em Portugal e no estrangeiro. Codirigiu o Coro da Juventude Musical Portuguesa com o maestro Paulo Lourenço e, mais tarde, foi cofundador e comaestro do Coro Ricercare, até 1998. A sua música foi apresentada em festivais em Portugal, bem como em vários países europeus, nos Estados Unidos da América e na China.
São várias as instituições e agrupamentos que têm dirigido encomendas a Carlos Caires, entre elas a Fundação Calouste Gulbenkian – ACARTE, Borealis Ensemble, Câmara Municipal de Almada, Fundação Casa da Música, Centro Cultural de Belém, Orchestra Sinfonica Nazionale della RAI/Centro Tempo Reale, Festival Aveiro-Síntese, Expo’98, Grupo de Música Contemporânea de Lisboa, Lisbon Ensemble XX/XXI, Miso Music Portugal, Companhia Nacional de Bailado e RTP/Antena 2.
Entre os galardões de composição que recebeu, destacam-se o Prémio Joly Braga Santos (1995) pela peçaAl Niente, o Prémio Cláudio Carneyro (1996) por Wordpainting e o Prémio ACARTE (1998, partilhado com João Madureira) por Retábulo-Melodrama. A sua produção inclui ainda bandas sonoras e design sonoro para vários filmes de animação independentes. Nas últimas duas décadas, tem estado envolvido no desenvolvimento de software especializado para música eletroacústica e composição assistida por computador. Um dos seus projetos mais significativos é o IRIN, um software de micromontagem sonora que começou a desenvolver durante a sua investigação de doutoramento no CICM (Centro de Investigação em Informática e Criação Musical da Universidade de Paris 8) e que continua a evoluir até aos dias de hoje. Mais recentemente, o seu trabalho expandiu-se para instalações audiovisuais interativas, onde explora a integração de sensores de movimento e o processamento de som em tempo real. Como educador, desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento de cursos e projetos de tecnologia musical, informática musical e composição assistida por computador em Portugal.
Em abril de 2025, lançou o CD duplo “Os sons em volta” (Artway Next), com obras para formações variadas abrangendo um período de quase 20 anos.
Carlos Caires vive em Lisboa e leciona na Escola Superior de Música de Lisboa.

Catarina Crespo
Catarina Crespo é clarinetista e professora de música, atualmente a frequentar o Mestrado em Música na Escola Superior de Música de Lisboa, sob orientação do Prof. Dr. Manuel Jerónimo.
O seu percurso musical teve início na Sociedade Filarmónica Comércio e Indústria da Amadora, passando posteriormente pelo Conservatório Nacional e pela Escola Superior de Música de Lisboa. Enquanto intérprete, tem desenvolvido uma atividade regular em diferentes formações e projetos artísticos, com experiência em orquestras, bandas e ensembles, tanto em contexto académico como profissional.
O seu interesse pela música contemporânea e pela exploração de novas linguagens tem vindo a desenvolver-se através de diferentes projetos de criação e interpretação. No âmbito do Laboratório de Música Mista, disciplina da Escola Superior de Música de Lisboa orientado pelo professor Jaime Reis, tem participado em diversas atividades dedicadas à música contemporânea e à exploração de novas formas de criação e apresentação musical. Estes projetos têm incluído colaborações com outras áreas artísticas e instituições, nomeadamente com a Escola Superior de Dança, bem como propostas relacionadas com a ecologia e outras atividades realizadas em diversos pontos do país.
É também membro do Ensemble Contrafluxo, dedicado à exploração da música experimental, contemporânea e da improvisação, e tem participado em projetos multidisciplinares que cruzam a música com outras linguagens artísticas.
Paralelamente à atividade enquanto intérprete, dedica-se ao ensino do clarinete e da música, procurando articular a prática pedagógica com a investigação, a criação e a exploração artística.
Mesa-redonda “A minha voz é a tua voz”
11 OUT, 18h00 | Lisboa Incomum
No dia 11 de Outubro, partimos da obra “A minha voz é a tua voz” de Ernesto de Sousa para conversar sobre memória, arquivo e identidade. Uma oportunidade para pensar como os registos do ontem podem integrar o diálogo do hoje. Estarão presentes as compositoras Marta Domingues e Mariana Vieira, Isabel Alves - presidente do CEMES - Centro de Estudos Multidisciplinares Ernesto de Sousa, Pedro Félix - antropólogo e coordenador do Arquivo Nacional do Som e Ana Telles - pianista e investigadora integrada do CESEM - Centro de Estudos em Música.
Conversa moderada pelo compositor Jaime Reis.
Participantes: Marta Domingues · Mariana Vieira · Isabel Alves · Pedro Félix · Ana Telles
Moderação: Jaime Reis
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Ana Telles
Estudou em Lisboa, Nova Iorque e Paris, tendo-se doutorado na Universidade de Paris IV - Sorbonne (França). Mantém intensa actividade concertística, na Europa, na Ásia e nas Américas, tendo sido solista com diversas orquestras nacionais e internacionais. A sua discografia conta actualmente com mais de vinte e cinco títulos.
Enquanto investigadora integrada do CESEM, desenvolve investigação nos domínios da Música dos sécs. XX e XXI, Música Portuguesa - Períodos Moderno/Contemporâneo, Música para Piano. É autora de um número significativo de capítulos de livros, artigos em revistas indexadas e edições musicais, incluindo uma edição crítica dos Prelúdios para piano de Luís de Freitas Branco.
Ana Telles é Professora Catedrática da Universidade de Évora.
Isabel Alves
Desde 1988 dinamiza o espólio Ernesto de Sousa (EdS). Entre 1967 e 1988 colaborou com EdS na realização e produção de filmes, exposições e espectáculos mixed-media.
Em 2008 co-fundou CEMES-Centro de Estudos Muldisciplinares Ernesto de Sousa – Associação. Como presidente, representa o CEMES em apresentações públicas:
De 1992-2013 criou, com Phill Niblock (EIF, NY), a Bolsa EdS (BES), com o apoio da FLAD e FCG,. O 15º aniversário BES foi celebrado com exposições e livro.
Em 1997-98 integrou a equipa do Festival 100 Dias- Expo’98, exposição “Viagem ao Século XX”, e “Corvo Branco” (Robert Wilson/Philip Glass);
Curadoria :
1996 Abril-Mulher, Museu República/Resistência;
2017 Revolution My Body – Colecção de Cartazes de Ernesto de Sousa, Museu Coleçáo Berardo
2021 Meu Amigo, MNAC-Museu do Chiado, co-curadoria com Emília Tavares.
2019 Keep in Touch, co-curadoria com Pedro Barateiro e Ricardo Valentim-, Galeria Diferença.
Colaborou com diversas personalidades na elaboração de livros e exposições:
1998 José Miranda Justo, Ser Moderno em Portugal, Assírio & Alvim; 2018 Jonas Magnusson & Cecilia Grönberg / OEI, edição revista OEI #80/81 “The Zero Alternative: EdS and some other Aesthetic operators…”; Hugo Canoilas na exposição Supergood – Diálogos com EdS, Fundação EDP; 2021 centenário de EDS : Exercícios de Comunicação Poética… curadoria de Lilou Vidal nas Galerias da Índia e Quadrum.
A partir de 1994 coordenou em 4 edições o mixed-media Almada, um Nome de Guerra, no CAM- FCG, e na Cinemateca.
De 2000 a 2023 foi Coordenadora da Colecção Berardo, responsável por aquisições, empréstimos, direitos de autor.
Em 2013 organizou os conteúdos do primeiro site dedicado a EdS www.ernestodesousa.com, que tem uma segunda versão, organizada por Ana Baliza . É responsável pela sua actualização.
Em 2026 é responsável pela investigaçáo e publicação de «Ernesto de Sousa - Da vanguarda como necessidade Crónicas 1974-1978», ed. Imprensa Nacional, e “Talismã/Talisman, correspondência Ernesto de Sousa - Robert Filliou”, ed. Pierrot le Fou, Porto e Éditions Loco, Paris.

Pedro Félix
Pedro Félix é investigador do Instituto de Etnomusicologia – Centro de Estudos em Música e Dança da Universidade Nova de Lisboa (FCSH) desde 1997 e colabora com o Museu do Fado (desde 2005). Na última década tem desenvolvido trabalho de terreno sobre grupos musicais em Portugal (grupos que se reconhecem como pertencentes ao domínio do pop-rock), tecnologia, indústria de edição de fonogramas, e património sonoro. Esse trabalho serviu de base para a elaboração de vários artigos científicos, apoiar a coordenação da Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX para a qual escreveu mais de 50 entradas (nos domínios do pop-rock e do fado), e a elaboração de uma tese de doutoramento sobre prática musical em contextos de produção industrial, tendo como terreno o grupo Xutos & Pontapés. Integrou a equipa responsável pela elaboração da candidatura do Fado a Património Cultural Imaterial da UNESCO, coordenando e desenvolvendo o trabalho de terreno e a inventariação de fonogramas históricos. Foi curador da exposição Óscar Cardoso. Um guitarreiro. Actualmente coordena o programa de digitalização da colecção de fonogramas do Museu do Fado e é autor e co-autor de bases-de-dados correlacionais de repertório e fonogramas, projectos que integram o plano de salvaguarda do Fado. Tem escrito sobre processos de digitalização a partir do processo desenvolvido no Museu, sobre o fado e sobre a gravação de som fruto dos dados recolhidos durante o processo de digitalização. É actualmente co-cordenador do projecto europeu (programa ERA-Net) HeritaMus. Desenvolve actividade lectiva na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas na área de métodos etnográficos e epistemologia quer do departamento de Ciências Musicais, quer na Pós-gradução em Estudos de Música Popular.
Concerto
11 OUT, 19h30 | Lisboa Incomum
Programa
Daniel Teruggi: Après une réécoute de Sud (2017), acusmática
Nuno d'Eça: The Egg* [Shortened Version] (2025), para clarinete e electrónica
Jaime Reis: Corpos Sonoros II: filigrana árida (2026), acusmática
Clemens von Reusner: EREMIA (2024), acusmática
Marta Domingues: Carta aos Ouvintes que estão Aqui Dentro desta Sala** (2026)
*1.º Prémio Nano Músicos Electroacústicos DME 2025 (Cat. Ens. Sup.)
**Estreia mundial, encomenda Projecto DME
Ruben Jacinto - Clarinete
Notas de programa
Daniel Teruggi: Après une réécoute de Sud
Jean-Claude Risset foi um grande amigo do GRM, um desses amigos musicais que raramente encontramos. Desde os anos 60 e da sua incursão pela informática musical nos Estados Unidos, procurou partilhar com os seus colegas franceses as suas descobertas e as imensas possibilidades que este novo meio oferecia à criação musical. Risset recebeu a primeira encomenda de uma obra musical realizada por computador em 1967, com a sua obra Mutations. Mais tarde, compôs várias obras no GRM, explorando em cada ocasião uma nova tecnologia e deixando desenvolver a sua paixão pelo som.
Uma das obras mais emblemáticas que compôs é Sud, dedicada às calanques de Marselha, onde procura captar as essências da natureza e dos sons escondidos. Para compor a minha obra Après une réécoute de Sud, utilizo sons meus, mas também pequenos fragmentos da sua música, que trabalho, desenvolvo e reconfiguro, procurando preservar apenas o sabor da sua música. Sempre gostei muito desta obra, que é um híbrido entre diferentes tipos de sons: sons da natureza, sons instrumentais, sons sintetizados por computador e, depois, a transformação, através de diferentes ferramentas, de todas estas fontes. É uma obra muito poética e contemplativa, que foi estreada no Festival Format Raisins 2017, no Prieuré de la Charité-sur-Loire.
Nuno d'Eça: The Egg [Shortened Version]
Na história curta de Andy Weir, The Egg, um homem que acaba de morrer num acidente de carro encontra-se frente a frente com o seu Criador. Numa longa conversa, tenta compreender o sentido da sua vida, procurando encontrar paz interior consigo próprio e com aqueles que deixou para trás. À medida que a sua percepção se transforma, reflecte sobre o caminho que o trouxe até ali e sobre o que o espera.
Inspirada nesta obra, The Egg é uma peça para clarinete e electrónica que explora este processo de aceitação da transitoriedade da vida. De forma análoga, este processo é transmitido através de uma «conversa» entre um «indivíduo» que acaba de passar para outro plano de existência (clarinete) e uma entidade omnipotente desconhecida (electrónica).
Em palco, é criado um cenário: uma divisão decorada ao estilo dos anos 50 ou 60, onde este «indivíduo» (o intérprete) desperta, sentado num sofá, sozinho. Confuso, tenta gradualmente compreender a sua situação. Sons percorrem a divisão, uma luz acende-se e apaga-se, um televisor liga-se — ele não está sozinho. Agora certo da presença de outra entidade, a conversa começa.
Esta é uma versão abreviada da peça, que originalmente tem uma duração aproximada de quinze minutos. Na versão integral, um prelúdio acusmático precede a performance ao vivo, a secção que começa no compasso 74 é desenvolvida durante mais tempo e a passagem improvisada que se inicia no compasso 10 é igualmente expandida.
Nota do compositor: Na electrónica, nos momentos entre 1:4 e 13:4 e entre 102:9 e 105:9, excertos da peça Estudo Acumático (2023), de Cristóvão Almeida, são transformados e/ou interpolados na peça. A autorização para a utilização destes excertos foi concedida pelo compositor.
Jaime Reis: Corpos Sonoros II: filigrana árida
Encomenda do Projecto DME, com o apoio da DGARTES / Ministério da Cultura, Fundação Calouste Gulbenkian, Câmara Municipal de Lisboa e Lisboa Incomum.
O ciclo Corpos Sonoros parte de referências como os trabalhos de Pierre Schaeffer, François Bayle, Annette Vande Gorne, Harry Partch e dos irmãos Baschet, entre outros autores que exploraram as relações entre o som, os objetos escultóricos e o gesto.
A segunda peça do ciclo, filigrana árida, surgiu de um projeto artístico de natureza pedagógica e comunitária, por mim desenvolvido e dirigido pelo Projecto DME / Lisboa Incomum. A primeira fase do projeto decorreu entre fevereiro e setembro de 2025.
Joana Coelho, amiga da Lisboa Incomum e mãe de uma das participantes em Corpos Sonoros I, ofereceu-nos um piano vertical que havia sido desmontado. Juntamente com Pedro Costa, reconstruí o instrumento recorrendo aos seus materiais originais e a alguns objetos encontrados (objets trouvés), dando assim origem a um novo corpo sonoro, segundo princípios de criação e transformação da matéria sonora inspirados no pensamento de Pierre Schaeffer.
Esta primeira fase deu origem a duas instalações-performances, conduzidas por Beatriz Costa e Jaime Reis, desenvolvidas através de um processo colaborativo e participativo que envolveu artistas locais, estudantes e membros da comunidade. As apresentações tiveram lugar na Fundação Calouste Gulbenkian, nos dias 8 e 9 de março de 2025, seguindo-se uma nova versão apresentada a 19 de setembro.
A combinação destes elementos, das muitas horas de improvisação e das sessões de gravação realizadas com o objeto escultórico, com a colaboração de Beatriz Costa e Tiago Jónatas, deu origem a milhares de objetos sonoros. Estes objetos incorporam gestos, movimentos e diferentes estados de energia, a partir dos quais se foi formando uma espécie de idioscomunitário.
Ao longo deste processo, a aridez, a matéria granular e o detalhe filigranado foram-se afirmando como qualidades recorrentes, moldando tanto a materialidade do som como os gestos através dos quais este é produzido e transformado.
A peça foi composta no CMMAS – Centro Mexicano para la Música y las Artes Sonoras e na Lisboa Incomum, entre janeiro e setembro de 2026.
Formalmente, a obra evoca texturas áridas e granulares, estruturas de natureza filigranada e uma sensação de fragilidade material. Estes elementos desenvolvem-se através de momentos de expansão e de alegria, acumulações de energia e contrastes, criando uma forma musical em constante transformação.
Clemens von Reusner: EREMIA
EREMIA (gr. ἐρημία)
área desabitada, lugar remoto
EREMIA é uma encomenda da Sociedade Alemã de Música Electroacústica, no âmbito da atribuição do Prémio Thomas Seelig para Suporte Fixo 2024, pelo trabalho composicional de Clemens von Reusner.
EREMIA foi finalista do Concurso Internacional Destellos 2024 (Argentina).
Marta Domingues: Carta aos Ouvintes que estão Aqui Dentro desta Sala
Esta peça procura dar vida a uma carta aberta que Ernesto de Sousa gravou em cassete em Dezembro de 1969, dirigida aos colaboradores de “Nós Não Estamos Algures”, uma obra mixed-media, apresentada no Clube de Teatro 1.º Acto, em Algés, nessa mesma altura. Dezembro de 1969 - cinco anos antes do 25 de Abril.
“Nós Não Estamos Algures” era um “exercício de comunicação poética” que procurava romper a dicotomia entre artista e espectador através de ações que incitavam o público a participar, porque, nas palavras de Ernesto de Sousa, “participar no teatro é o mesmo que participar na vida, etc” (1969). O título do mixed-media vem de uma frase de “A Invenção do Dia Claro”, de José de Almada Negreiros:
“Mas não falemos sem alicerces. Nós não estamos algures. Nós estamos aqui dentro desta sala, onde eu estou a dizer a conferencia - o chão, o tecto, e quatro paredes. Vocês e eu. Para nos orientarmos melhor, aqui onde estou fica sendo o Norte, lá no fundo da sala o Sul, Este ali e Oeste daquele lado. Que isto fique assim bem combinado entre nós, de tal maneira que, quando eu chamar Sul aqui ao lugar onde estou, vocês se levantem, protestem, e digam que não, que o Sul é lá no fundo da sala.”
Daqui vem o título desta peça. Porque estamos todos aqui. E as palavras de Ernesto de Sousa ainda ecoam nos dias de hoje. Ainda é preciso provocar.
O registo áudio da carta foi-me gentilmente cedido pela Isabel Alves, Presidente do Centro de Estudos Multidisciplinares Ernesto de Sousa (CEMES). A digitalização da gravação foi realizada por Jaime Reis/Lisboa Incomum e o tratamento do áudio por Pedro Félix, Coordenador do Arquivo Nacional do Som. Contém ainda excertos áudio do Cd-rom “Pulsar da revolução” do Arquivo Digital do CD25A da Universidade de Coimbra (https://www.cd25a.uc.pt/pt/page/8).
A peça resulta de uma encomenda do Projeto DME - Dias de Música Electroacústica (2026).
Biografias

© Pierre Grossman
Daniel Teruggi
Daniel Teruggi, nasceu em 1952 na Argentina.
Estudou Física, Composição e Piano no seu país natal. Em 1977, mudou-se para França, onde estudou no Conservatoire National Supérieur de Musique de Paris. Em 1981, começou a trabalhar no INA (Institut national de l’audiovisuel), integrado no GRM (Groupe de Recherches Musicales). Em 1997, tornou-se diretor do GRM, cargo que ocupou até à sua reforma, em 2017. Entre outubro de 2001 e 2016, foi simultaneamente diretor do departamento de investigação e experimentação do INA.
No domínio da investigação, trabalhou ativamente na preservação de coleções audiovisuais, especialmente no campo da música electroacústica. Teruggi compôs mais de 90 obras, principalmente para contexto de concerto, utilizando tanto dispositivos electroacústicos em situações acusmáticas como instrumentos ao vivo. É autor de numerosos artigos de investigação sobre o som, a perceção e a análise musical. As suas obras foram apresentadas em mais de 30 países e publicadas em várias coleções de CD.
Doutorado em Arte e Tecnologia pela Université Paris VIII, desenvolveu uma importante actividade pedagógica na Université Paris I, na Université Paris IV-Sorbonne e na Université Paris-Est. Em 2016, recebeu o SMPTE Archival Technology Medal Award, pelo seu trabalho na preservação de conteúdos audiovisuais, com especial enfoque na música. Nesse mesmo ano, recebeu também o SAT Award, atribuído pela Société des Arts Technologiques, em Montreal, Canadá, em reconhecimento do seu percurso artístico. Em 2022, recebeu o prestigiado Giga-Hertz Award, atribuído pelo ZKM (Zentrum für Kunst und Medientechnologie), em Karlsruhe, Alemanha, e, em 2023, o Lifetime Honorary Award, concedido pela International Federation of Television Archives (FIAT/IFTA), em Locarno, Suíça.
Reformado desde 2018, continua a desenvolver a sua actividade musical, bem como o seu trabalho no domínio da preservação audiovisual.

Nuno d'Eça
Nuno d’Eça inicia os seus estudos musicais aos 7 anos no Conservatório de Música Sons e Compassos, em Sintra. Em 2015, ingressa na Universidade Lusíada de Lisboa no curso de Jazz e Música Moderna, tendo tido aula com professores como Mário Delgado, Ricardo Pinheiro e Desidério Lázaro. Terminada a sua licenciatura (2018), tem aulas particulares com Vasco Mendonça, ingressando no ano seguinte na Escola Superior de Música de Lisboa (ESML) no curso de Composição, onde teve aulas com Luís Tinoco e Carlos Caires. Encontra-se de momento a realizar o Mestrado em Ensino da Música na ESML, tendo aulas com Jaime Reis e Ana Seara. Destaca-se a sua peça “I’m Sorry Dave”, escolhida para integrar o festival da CIME/ICME de 2020.

© Rainer Erhard
Clemens von Reusner
As obras electroacústicas do compositor alemão Clemens von Reusner caracterizam-se pela utilização de sons puramente electrónicos e de sons captados em lugares específicos e posteriormente trabalhados em estúdio.
O trabalho sobre o próprio som, a sua organização e o seu movimento através de diferentes trajectórias nos espaços acústicos virtuais criados por configurações de altifalantes multicanal estão no centro do seu trabalho composicional.
Clemens von Reusner é membro da Academia das Artes de Berlim e da Academia Alemã de Autores de Música. As suas obras foram distinguidas com prémios nacionais e internacionais e são apresentadas em todo o mundo em prestigiados festivais internacionais de música contemporânea.
www.cvr-net.de
© Yuna Le Quéré
Marta Domingues
Marta Domingues (n. 2000) é compositora. Terminou o Mestrado em Composição, sob a orientação dos compositores Jaime Reis e Annette Vande Gorne, com quem estuda regularmente em Bruxelas; e o Mestrado em Ensino da Música, ambos na Escola Superior de Música de Lisboa. Actualmente, é Doutoranda na Faculdade de Belas Artes (Universidade de Lisboa).
O seu catálogo inclui obras eletroacústicas e instrumentais, solo e para diversas formações. Na sua prática artística procura ligações expressivas nos traços energéticos do som e na sua relação de reciprocidade com o gesto e o espaço.
A sua música tem sido apresentada em diversos contextos e festivais de música contemporânea em Portugal, Espanha, Irlanda do Norte, Inglaterra, Bélgica, França, Alemanha, Áustria, Suécia, Chipre, Holanda, Albânia. Foi premiada no concurso Métamorphoses 2020 (BE), Young Lion*ess of Acousmatic Music (AT) e obteve uma recomendação na 69.ª edição da Tribuna Internacional de Compositores (NL).
Tem obras publicadas pela Influx/Musiques et Recherches (BE) e edições DME/Lisboa Incomum e no álbum “When You Hear Hoofbeats, Think Horses, Not Zebras”, de Nada Contra. Colaborou na organização do Projecto DME e Lisboa Incomum entre 2020 e 2024.
Website: martadomingues.com

Ruben Jacinto
Ruben Lopes Jacinto é um dos músicos mais versáteis da sua geração, curioso e profundamente comprometido com a criação musical e artística.
O seu percurso abrange um vasto leque de atividades performativas ligadas à música contemporânea e ao teatro. É Mestre em Interpretação Musical pelo Trinity Laban Conservatoire of Music and Dance, onde estudou com Joan Enric Lluna e Fiona Cross. Foi premiado em vários concursos e bolseiro em múltiplas ocasiões.
Gravou o Concerto para Clarinete n.º 2 de Malcolm Arnold para a BBC Radio 3 e estreou A Monologue with Radios, de Simone Spagnolo, em St Martin-in-the-Fields, em Londres. Desenvolve atualmente o projeto de criação e edição Elíptico. Lisboa. Londres. Clarinet Stories, com os compositores Jaime Reis, Nuno d'Éça e Simone Spagnolo.
Recentemente co-criou A Cada Verso Nasço com o coletivo PICA, gravou 5 indagações para clarinete solo de Gonçalo Gato e colabora com Ana Margarida Lacerda no projeto SoliDó (música para bebés). Colabora com a Lisbon Film Orchestra desde a sua fundação, em 2007.
Com o compositor Luís Soldado colaborou em O Sorriso de Sofia, Super Diva (RTP 2), Lisboa Muda e O Corvo. Co-criou ainda Moby-Dick (entre as 10 melhores produções de teatro do ano segundo o Semanário Expresso), O Som e a Fúria (Teatro Mosca), Sognimod e Seravat (Companhia Mascarenhas Martins).

Immersive Festival 2026 (5th Edition)
9–11 October 2026 | Lisboa Incomum
The Immersive Festival 2026 takes place from 9 to 11 October 2026 at Lisboa Incomum, in Lisbon, Portugal. This annual event, organised by Projecto DME, is dedicated to electroacoustic music and showcases the dome-shaped sound systems of the Lisboa Incomum space, offering a unique immersive listening experience.
Free admission, upon completion of the registration form available here.
Programme
9 October (Friday)
- 18:00 - Opening of the virtual reality installation developed by Ricardo Almeida [Winner of the 3rd edition of the Technological and Multimedia Arts Artistic Residency, a programme promoted by the Municipal Directorate of Culture through the Cultural Action Division of Lisbon City Council]
- 19:30 - Concert Hugo Vasco Reis & Trevor McTait
10 October (Saturday)
- 14:00-17:00 - Virtual reality installation developed by Ricardo Almeida [Winner of the 3rd edition of the Technological and Multimedia Arts Artistic Residency, a programme promoted by the Municipal Directorate of Culture through the Cultural Action Division of Lisbon City Council]
- 18:00 - Round table - “Electroacoustic Music and beyond” (David Nguyen, Adrien Moujahid, António de Sousa Dias, Carlos Caires, Ricardo Almeida and Mariana Vieira. Moderator: Jaime Reis)
- 19:30 - Concert
11 October (Sunday)
- 14:00-17:00 - Virtual reality installation developed by Ricardo Almeida [Winner of the 3rd edition of the Technological and Multimedia Arts Artistic Residency, a programme promoted by the Municipal Directorate of Culture through the Cultural Action Division of Lisbon City Council]
- 18:00 - Round table - “A minha voz é a tua voz” (“My voice is your voice”) (Marta Domingues, Mariana Vieira, Isabel Alves, Pedro Félix, Ana Telles. Moderator: Jaime Reis)
- 19:30 - Concert
Medusa - Opera for virtual reality and multichannel electronics - Sound installation
Opening: 9 OCT, 18:00 | Lisboa Incomum
Installation: 10-11 OCT, 14:00 to 17:00 | Lisboa Incomum
Medusa is an opera for virtual reality and multichannel electronics. Part of a cycle of three pieces called “sycophants”, Medusa attempts to portray the loss of autonomy and serial manipulation caused by a quasi-imaginary technofeudal system. Through a process of disrupting Lisbon’s landscapes and its inhabitants, the work aims to explore technology as a magnifying glass of the ego and of the somnambulism underlying it.
This work uses the digital medium to explore a metaphysical space where sound, matter and light do not exist organically and are therefore unstable. The artistic proposal thus rests on an idea of opera that can be anything, at any moment.
Work developed as part of the 3rd edition of the Technological and Multimedia Arts Artistic Residency Award, promoted by the Municipal Directorate of Culture, through the Cultural Action Division of Lisbon City Council.
Creation: Ricardo Almeida
Soprano: Laura Alves
Contralto: Inês Almeida
Mezzo-soprano: Catarina Martins
Baritone: Carlos Flores Baltazar
Audiovisual recording: Daniela Moreira

Ricardo Almeida
Ricardo Almeida (Lisbon, 2000) is a composer, guitarist and researcher, focused on creating digital interfaces for musical performance and on electroacoustic symbiosis with jazz performers. He holds a degree in Composition from the Escola Superior de Música de Lisboa, where he studied with Luís Tinoco, João Madureira and Carlos Caires, and is currently studying for a master’s in music at the same institution and a master’s in Music Education at the University of Évora, under Pedro Amaral.
He has taken part in masterclasses with composers such as François Bayle, Kaija Saariaho and Thomas Adès, and, as an improviser, has been part of projects such as Eco Lab, BeComposer and Texturas Ensemble, exploring real-time electronics and electric guitar. He has contributed music to contemporary dance projects, taking part in residencies such as Compota (2021), Jovens Compositores (2022) and the Biennial of Contemporary Arts 2023.
Concert — Hugo Vasco Reis & Trevor McTait
9 OCT, 19:30 | Lisboa Incomum
Programme
Jaime Reis: Fluxus, Transitional Flow (2013), for viola and electronics
Eduardo Luís Patriarca: Un Souffle, Le Rêve (2005), for viola
Hugo Vasco Reis: Re-Memory I* (2025/2026), for viola and electronics
Ricardo Dal Farra: Sense (2018), acousmatic
João Pedro Oliveira: Pulses** (2025), acousmatic
Miguel Azguime: Dedans-Dehors (2018), for viola
Igor C. Silva: Terminus (2009), for viola and electronics
*World premiere, commissioned by Projecto DME
**Commissioned by DME – new version for an immersive dome-shaped electroacoustic system
Hugo Vasco Reis - Electronics
Trevor McTait - Viola
Programme notes
Jaime Reis: Fluxus, Transitional Flow
This piece belongs to the Fluxus cycle, whose pieces are inspired by elements of Physics and develop musical elements related to certain physical phenomena of fluid mechanics. In this particular piece, commissioned by Festival Primavera, sounds of aeroplanes from the Torres Vedras Aeroclub were recorded and synthesis techniques were used to suggest the idea of a musical flow that starts from the viola and is expanded into the electronics, in transitions ranging from the elements closest to the instrumental musical material, as if it were a laminar flow (in physical terms), to more unpredictable elements, as in a turbulent flow, thus generating a constant interplay of transitions between the different musical materials and their treatments. It was conceived as a didactic piece whose parts were arranged so that they could be played by students at different levels, in order to promote the study of the instrument by students in Specialised Artistic Education in less frequent practices such as electroacoustic music.
Eduardo Luís Patriarca: Un Souffle, Le Rêve
Un Souffle, Le Rêve is part of a cycle of works dedicated to string instruments. The piece starts from the idea of a “single sound” and a meditative, continuous listening to that sound, from which all the remaining musical material develops.
This approach relates to a concern present in the so-called Spectral School, although explored here in a particular way. Attention to the nature of sound and its possibilities of transformation leads to the appearance of microtonal relationships and of musical material that is progressively built from that sonic core.
The idea of staying with one sound, observing it and discovering new possibilities in it comes close to a concern shared by composers such as Gérard Grisey, Jonathan Harvey and Georg Friedrich Haas, among others. More than a purely technical process, this exploration also takes on a philosophical and contemplative dimension: sound becomes at once starting point, matter and space for listening.
Hugo Vasco Reis: Re-Memory I
“The past is anything but what has already passed. It is something I can always return to again.”
This quotation from Martin Heidegger, in “The Concept of Time”, serves as the premise for Re-Memory, a cycle of solo works using amplification and/or electronics. In each work, memory is revisited through listening to and mediating field recordings made by the composer, containing sound archives such as sounds inside trees, sounds in metal structures, or underwater sounds, to name just a few, whose concept is included, in the composer’s words, as part of the silent sonic environment. The aim is, through artistic practice, to incite a new sonic awareness of the “absent” reality in which we all live.
Ricardo Dal Farra: Sense
The meaning of life. The meaning of the things we do.
The direction in which we move forward… where we are going.
Complications and complexities that gradually soften with the passing of time, one way or another, for better, sometimes for worse. Time is a fiction that surprises us.
After action, jolts, interventions and endless searches, reflection and one step after another, among the thousands on the road.
João Pedro Oliveira: Pulses
Pulses is an acousmatic piece based on the iteration of different pulsations, in diverse contexts and through different transformations.
The piece was commissioned by Projecto DME (Dias de Música Electroacústica).
Miguel Azguime: Dedans-Dehors
“Inside-outside” explores a duality in the musical character of the viola. On one hand exuberant, energetic and abrupt; on the other delicate, intimate and tenuous.
Using instrumental techniques and a musical language taken to the extreme, this duality is emphasised as far as possible. The work oscillates between excessively fast and aggressive moments and others built from the softest sonorities and phrases stretched out over long stretches of time.
The work also allows for the use of real-time electronics. On this occasion it is presented in its version for solo viola.
Igor C. Silva: Terminus
This piece represents the end of everything we know. It is a way of expressing the colours and feelings associated with all the cycles that come to an end. A piece for viola and electronics that explores the idea of space as a place of resonance and suspension, where sound extends beyond the instrumental gesture. Between the notion of an ending and contemplation, the music inhabits a liminal territory in which each sound seems to persist, observe and slowly disappear.
Biographies

Hugo Vasco Reis
Hugo Vasco Reis (Lisbon, 1981) is a composer and researcher living in Porto. His artistic practice spans acoustic music, electroacoustic music and sound installations, in collaboration with musicians and visual artists who regularly present his works across Europe.
His music is documented in a large catalogue of scores and albums, and has been awarded or selected in several national and international competitions.
His recent compositions include research into sound and perception phenomena, addressing listening and mediation agencies, with the aim of bringing apparently silent sounds of the sonic environment into artistic practice.
He is currently a doctoral candidate at the University of Music and Performing Arts Graz, KUG (Austria), as a fellow of the Portuguese Foundation for Science and Technology (FCT). He studied composition with Isabel Mundry at the Zurich University of the Arts, ZHdK (Zurich, Switzerland), as a fellow of the Fondation Nicati-de Luze, with Mark André and Stefan Prins at the Hochschule für Musik Dresden (Germany), and with António Pinho Vargas, Luís Tinoco and Sérgio Azevedo at the Escola Superior de Música de Lisboa. He has had private lessons and masterclasses with composers including Toshio Hosokawa, Chaya Czernowin, Hans Tutschku, Dieter Ammann, Franck Bedrossian, Barry Truax, Zigmunt Krauze, Åke Parmerud, Carola Bauckholt, Klaus Lang and Peter Ablinger.
His works have been supported by the Portuguese Ministry of Culture, DGArtes, Antena 2, Lisbon City Council, SPAutores, GDA, Coro Setúbal Voz, Síntese GMC, Musicamera, Borealis Ensemble, MPMP, Duo Sigma, Arte no Tempo, ZHdK Foundation, Momento Foundation, Graf-Fonds, Gaudeamus, KWDS, Trio Elogio, GMCL, Drumming, Vertixe Sonora, Collective Lovemusic, QCC String Quartet, Trio Piazzolla Lisboa, Orchestra della Svizzera Italiana, Miso Music Portugal, RePercussion Trio, Orquestra Portuguesa de Guitarras e Bandolins, Trio Funkloch and Kuratorium Aargau.
His scores are published and available at MIC.PT – Portuguese Music Research and Information Centre.
He also studied Portuguese guitar at the Porto Conservatory of Music and in the class of Pedro Caldeira Cabral. He is a civil engineer, although he does not currently practise as one.

Trevor McTait
Trevor McTait is principal violist of the Remix Ensemble and the Casa da Música Baroque Orchestra, and teaches chamber music at the Escola Profissional de Música de Espinho. In 2026 he released Fifty-Fifty, an album dedicated to contemporary Portuguese music for solo viola and viola with electronics, and Ténue, a second album entirely devoted to the work of composer Hugo Vasco Reis.
In London he worked regularly with the BBC Symphony Orchestra and the London Philharmonic, taking part in the BBC Proms among other concerts, and was a member of the Archinto String Quartet and Chroma, an ensemble dedicated to contemporary music. Throughout his career he has performed in some of the world’s leading venues, including Carnegie Hall in New York, Symphony Hall in Washington D.C., the Berlin Philharmonie and the Esplanade Theatre in Singapore, as well as the main concert halls of London. In orchestral settings he has worked under conductors such as Bernard Haitink, Vladimir Ashkenazy, Semyon Bychkov, Jukka-Pekka Saraste, Jiří Bělohlávek, Sir Colin Davis and Leonard Slatkin, among others, and has collaborated with renowned soloists such as Maxim Vengerov, Yuri Bashmet, Evgeny Kissin, Steven Isserlis and Fabio Biondi. His discography includes recordings with the BBC Symphony Orchestra, the Remix Ensemble, the Casa da Música Baroque Orchestra and MusikFabrik, among others.
His artistic activity spans contemporary music, early music and chamber music. Over the years he has collaborated with several international ensembles, including MusikFabrik (Cologne), Basel Sinfonietta and the New London Soloists, among others. In Portugal he is regularly invited to perform with Orquestra D'Aquém Mar. He has also been principal violist of the Orquestra Clássica do Centro, the Orquestra de Espinho and the Orquestra Costa Atlântica, and has worked with artists from different fields, such as Mariza, César Mourão, S. Pedro, Miguel Araújo, Diogo Piçarra and Mão Morta.
Born in Hertfordshire, England, he holds a Master’s degree in Music from the University of Cambridge and the DipRAM from the Royal Academy of Music in London, where he was a Leverhulme chamber music scholar. He studied viola with Martin Outram, Rivka Golani, Paul Silverthorne, Jerzy Kozmala, Atar Arad and John White, and worked on chamber music with musicians such as Sigmund Nissel of the Amadeus Quartet, Sandor Devich of the Bartók Quartet, Sir Colin Davis and several leading quartets. From 1998 to 2000 he was principal A viola of the European Union Youth Orchestra under Vladimir Ashkenazy and Bernard Haitink.
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© Sofia Nunes
Jaime Reis
Jaime Reis (b. 1983) is a Portuguese composer.
He studied Composition and Electroacoustic Music with João Pedro Oliveira, Emmanuel Nunes and K. Stockhausen. He went on to doctoral studies in Ethnomusicology at the Universidade Nova de Lisboa.
Jaime Reis’s musical thinking is informed by his great interest in natural science research and by his constant attention to Asian musical – and indeed spiritual – traditions.
One of his focuses is the dynamics of forms, forces and flows in music. He explores spatial polyphonic paths through immersive dome-shaped sound systems.
Another striking feature of his music is the presence of complex concepts underpinning the construction of his pieces, without distracting listeners from their sensuous beauty. The ideas work as hidden functions that, despite their intellectual rigour, give rise to voluptuous musical forms.
Jaime Reis is Professor of Composition and Electroacoustic Music at the Escola Superior de Música de Lisboa (ESML) and a researcher at the Institute of Ethnomusicology of the Universidade Nova de Lisboa. He is artistic director of Projecto DME and Lisboa Incomum, which carry out intense research and creative activity in contemporary art music.
His music has been played around the world by ensembles and musicians such as Christophe Desjardins, Pierre-Yves Artaud, Aida-Carmen Soanea, Ana Telles, ensemble Fractales, Ensemble Horizonte, Grupo de Música Contemporânea de Lisboa, Machina Lírica, Orchestre de Flûtes Français and Aleph Gitarrenquartett.
Bio by Monika Streitová, flautist and Professor at the University of Évora; taken from jaimereis.pt; updated May 2020.

Eduardo Luís Patriarca
Born in Porto in April 1970, he studied composition and piano. He completed his Master’s and Doctorate at the University of Aveiro under Isabel Soveral.
His writing is linked to Buddhism and is a remnant of the Spectral School, with frequent use of fractals and of patterns close to the concept of mantras, from which ideas of cycles and polycycles derive, resulting from a polyphonic thinking derived from medieval and Renaissance aesthetics.

Ricardo Dal Farra
Professor of music and electronic arts at Concordia University, Canada. Founder-director of the Centre for Experimentation and Research in Electronic Arts at the National University of Tres de Febrero (UNTREF), Argentina. Director of the international symposia Balance-Unbalance (BunB) on art-science and the environmental crisis, and Understanding Visual Music (UVM). Dal Farra was director of the Hexagram Centre for Research-Creation in Media Arts and Technologies, Canada; coordinator of the Multimedia Communication Area of the Ministry of Education, Argentina; researcher at the Music, Technology and Innovation Research Centre of De Montfort University, UK; coordinator of the international alliance DOCAM – Documentation and Conservation of the Media Arts Heritage; senior consultant to the Amauta New Media Art Centre in Cusco, Peru; and researcher at UNESCO, France, for its Digi-Arts project. He co-designed the university programme in Electronic Arts at UNTREF and the Music Production programme at the ORT Technical School in Argentina. Creator of the Latin American Electroacoustic Music Collection, hosted by the Daniel Langlois Foundation, Canada. Member of the editorial boards of Leonardo (MIT Press), Organised Sound (Cambridge Press), Resonance (University of California Press) and Artnodes (UOC), and of the board of ISEA International (formerly the International Symposium on Electronic Art). Ph.D. in Arts, post-doctorate in Art-Science – Applied Transdiscipline and Innovation, Dal Farra is a composer and artist specialising in transdisciplinary actions with science and emerging technologies.

João Pedro Oliveira
João Pedro Oliveira holds the Corwin Endowed Chair in Composition at the University of California, Santa Barbara. He studied organ, composition and architecture in Lisbon, and completed his doctorate in Music at Stony Brook University (New York). His music includes orchestral works, chamber music, electroacoustic music and experimental video.
He has received more than 70 international awards for his works, including the prestigious Guggenheim Fellowship in 2023, the Bourges Magisterium and the Giga-Hertz Prize, 1st Prize in the Metamorphoses competition and 1st Prize in the Musica Nova competition. He taught at the University of Aveiro and the Federal University of Minas Gerais.
He has published numerous articles in national and international journals, and wrote a book on the analytical theory of twentieth-century music.

© Jorge Carmona
Miguel Azguime
Distinguished by his versatility, Miguel Azguime’s creative universe reflects an approach built on his multifaceted abilities as composer, performer and poet, a three-dimensionality that at the same time challenges a certain almost mystical view of art.
The beginnings of his musical path were marked by his participation in various jazz and improvisation groups, by percussion studies with Catarina Latino, Júlio Campos and Gaston Sylvestre, and by taking part in several composition courses and seminars, for example in Darmstadt, and with Emmanuel Nunes and Tristan Murail.
A decisive moment came in 1982 through his contact with flautist Pierre-Yves Artaud. This led to the Miso Ensemble, a flute and percussion duo created by Paula Azguime and Miguel Azguime in 1985, which from the outset stood out for its search for another way of making music, including the use of amplification and electronic means. The Miso Ensemble’s very particular philosophy is reflected in its name: MISO, a traditional Japanese culinary ingredient made through a long process of maturation, which echoes an ideal of life, both personal and collective.
From the 1990s the artistic duo, Paula and Miguel Azguime, began to work abroad in collaboration with other performers and composers. This was also when Miguel Azguime began a transition in his compositional writing, from a freer form to a more rigorous one, with the almost systematic use of real-time electronics. This transformation helped establish him as a composer whose music and personal language are today widely recognised.
Alongside his creative work, Miguel Azguime remains dedicated to the promotion and dissemination of experimental and research-oriented music, in particular by Portuguese composers, as founder of Miso Music Portugal, artistic director of the record label Miso Records and of the Música Viva Festival, and as founder of Miso Studio and the Sond’Ar-te Electric Ensemble. In 1995 he also created the Orquestra de Altifalantes (Loudspeaker Orchestra), a project devoted exclusively to the performance of electroacoustic music; and in 2003, together with Paula Azguime, he founded the Portuguese Music Research & Information Centre (MIC.PT), a digital platform for research, preservation, communication and database, available at www.mic.pt, on Portuguese musical heritage from the present back into the past, including numerous documents in various formats as well as score publishing and distribution.
Another decisive moment in his compositional path was the DAAD residency in Berlin (2006), which led to the creation and production of the multimedia opera Itinerário do Sal – the culmination of a process of integration between poetic and musical writing. This work led to a new form of creative collaboration within the Miso Ensemble, with joint creative processes in music, dramaturgy and image, begun with Paula Azguime for the works Yuan Zhi Yuan (1997/98) and O Centro do Excêntrico do Centro do Mundo (1999/2002), and later developed in the children’s opera A Menina Gotinha de Água (2011) and the opera A Laugh to Cry (2013).
The links between Miguel Azguime’s multiple activities as composer, poet and performer gave rise to his interest in what he calls “word-meaning / word-sound”, an attempt to bring together the semantic and metaphorical component of the word and its sonic parameters. This approach is typical not only of his operatic pieces but also of his chamber, instrumental and electroacoustic music, at the same time reflecting the composer’s “initiatory journeys” in the creation of each work. Several traces of these principles can be found in his most recent output.

Igor C. Silva
Born in Porto and currently living in Amsterdam, Igor C Silva is a composer dedicated to electronic music and new technologies, creating projects that bring together performers, computers and sonic and visual elements, resulting in multisensory experiences. He works regularly with ensembles, performers and orchestras, has received numerous commissions from ensembles and festivals, and has published recordings of his music.
Igor C Silva also collaborates regularly with soloists, ensembles and jazz groups, devoting part of his musical activity to improvisation and to interactive performances using electronics and multimedia tools.
He was Young Composer in Residence at Casa da Música in 2012, Composer in Residence at Miso Music Studios in 2015 and composer in residence of Drumming GP in 2018/19. In 2018 his work Plastic Air, for flexible duo, electronics and video/light, received a recommendation at the International Rostrum of Composers in Hungary.
He has received several awards, including 1st Prize at the 1st International Electroacoustic and Intermedial Composition Competition “eviMus” in Germany with Numb, and 1st Prize at the GMCL/Jorge Peixinho International Composition Competition in Portugal with Blood Ink.
He is a co-founder of the Trash Panda Collective.
His projects include a new multimedia opera for Stephanie Pan and Ensemble Klang, with a text by Aaron Landsman, and new works for ensemble and electronics. His music has been presented in several countries, including the Netherlands, Belgium, Spain, the USA, Portugal, Germany, France, Japan, the United Kingdom, Finland and Argentina.
Igor C Silva graduated in Composition from the Escola Superior de Música, Artes e Espetáculo (ESMAE) in 2011 and completed a Master’s in Composition and Music Theory in 2013. He also took part in seminars with composers such as Magnus Lindberg, Jonathan Harvey, Pauline Oliveros, Kaija Saariaho, Wolfgang Mitterer and Pascal Dusapin, among others.
In 2017 he completed a Master’s in Live Electronics at the Conservatorium van Amsterdam. He is currently a doctoral candidate at VUB and the Koninklijk Conservatorium Brussel, where he also teaches on the Live Electronics course.
Round table “Electroacoustic Music and beyond”
10 OCT, 18:00 | Lisboa Incomum
On 10 October we will start from the title “Electroacoustic Music and beyond” and talk about the different practices related to electroacoustic music, such as acousmatic music, instrumental music with electronics, immersive spatialisation, virtual reality, field recordings, sound perception and interdisciplinary practices. The composers David Quang-Minh Nguyen, Adrien Moujahid, António de Sousa Dias, Carlos Caires, Ricardo Almeida and Mariana Vieira will be present.
Conversation moderated by composer Jaime Reis.
Participants: David Nguyen · Adrien Moujahid · António de Sousa Dias · Carlos Caires · Ricardo Almeida · Mariana Vieira
Moderator: Jaime Reis
Concert
10 OCT, 19:30 | Lisboa Incomum
Programme
Adrien Moujahid: Stridor* (2025), acousmatic
Alvaro Borges: Mythical Cycle III: Hephaestus on the forge (2004/05), acousmatic
Pedro Pádua: Feathered Beam** (2025), for clarinet and electronics
Mariana Vieira: Meditação sobre a paisagem do Alentejo*** (2025)
António Sousa Dias: TêTrês (2001), acousmatic
David Nguyen: The Gardens Between The Pillars**** (2025), acousmatic
Carlos Caires: Limiar (2001), for clarinet and electronics
*Fondation Annette Vande Gorne Prize
**3rd Prize Nano Músicos Electroacústicos DME 2025 (Higher Education Cat.)
***Commissioned by the project “Lá nas Árvores” of Évora_27 – European Capital of Culture, a partnership between the University of Évora, Projecto DME and Associação Lisboa Incomum
****ICEM/CIME (International Confederation of Electroacoustic Music) Residency Prize 2023 / Projecto DME / Lisboa Incomum Residency 2025
Catarina Crespo - Clarinet
Programme notes
Adrien Moujahid: Stridor
Stridor takes its name from the whistling sound caused by obstruction of the airways. It is built almost entirely from recordings of escaping air — an accordion’s bellows, a rubber balloon, drinking straws of different gauges — and is written on the scale of breathing: long values, sustained through new inhalations, until some stretch beyond what a body could bear. In a play of inhalations, exhalations and held breath, the incursions hiss, the discomforts squeak and, at times, relief lets the air escape.
Composed at the Conservatoire royal de Mons, during the master’s in acousmatic composition.
Alvaro Borges: Mythical Cycle III: Hephaestus on the forge
This work is part of a project entitled Mythical Cycle. Made up of four movements, each divided into two moments, the project was developed from a specific mythological context — Greek mythology — referring to entities associated with the different elements (water, earth, fire and air), in a poetic application of this context as a narrative vehicle for building the musical discourse.
As regards the narrative of Mythical Cycle III: in the first moment, dedicated to Hephaestus, we are told the story of Hera’s son who, according to Greek mythology, was rejected by his mother because of his appearance and thrown from the sky into the ocean. Rescued by Poseidon, he grew up to become a skilled ironworker, responsible for meeting the needs of the gods. This is the scenario that guides this part of the work.
In the second moment, dedicated to Prometheus, we see his imprisonment on a distant, isolated mountain, chained to a rock as punishment for stealing fire from Olympus and giving knowledge to human beings. His punishment was to have his liver devoured, day after day, by an eagle, until he was freed by Zeus. This episode served as the starting point for the creation of the form, or model, of this work.
Mythical Cycle III was composed from pre-recorded sounds of children’s voices (glissandi), explosions, chords of instrumental masses and synthesis (textures, grains, impulses, etc.).
This material thus draws widely on register — high/low. The contrast between noisy sounds and harmonic definition leads both to directionality and to spatial dimensions. This part also refers to the previous movements, by presenting some fragments on a more distant plane.
As regards the quadraphonic treatment, a Max/MSP patch was created in which the trajectory of the sound events was logically elaborated (through HoloEdit), according to the path of each sound object. In the overall form, the sounds acquire a spatial agitation through location, depth and movement between the loudspeakers.
Pedro Pádua: Feathered Beam
The title of this piece comes from an intensive search for a music notation programme to replace Finale, which would allow me to write Feathered Beams, consisting of ritardandi or accelerandi within a certain number of figures. These Feathered Beams are a central figure of this piece, appearing many times throughout the music, in both the clarinet and the electronics. The piece revolves around the dialogue between the instrument and the electronics, sometimes acting as one.
Mariana Vieira: Meditação sobre a paisagem do Alentejo
Meditation on the Alentejo landscape uses as its main sound material the recorded sound of a cowbell made by the company Chocalhos Pardalinho, a sonic mark inseparable from the Alentejo region.
This main sound was manipulated to create variations, notably transpositions that made it possible to simulate an ‘orchestra’ of cowbells from a single initial sound. Besides this manipulation, the dialogue with other recorded sounds was important in creating the piece. These relate to the first through a collection of marks that I freely associated with the Alentejo soundscape (excerpts from a work by Duarte Lobo, a bird’s song and voices that, without semantic content, emerge from the electronic texture). Other sounds also appear with a more direct association to the nature of the cowbell’s own sound – its percussive or frictional character. The title is meant to signal the meditative character I sought to inscribe in the piece, inviting an imaginative and free listening, so that listeners create their own associations with the sounds used.
This piece was composed as part of the project “Lá nas Árvores” of Évora_27 – European Capital of Culture, a partnership between the University of Évora, Projecto DME and Associação Lisboa Incomum.
António Sousa Dias: TêTrês
The title TêTrês allows two kinds of reference: on the one hand, it points to “T3”, a Portuguese housing typology (three-bedroom flat); on the other, it can be read as Tetris, the game based on fitting together pieces of different shapes. Thus TêTrês contains situations that refer to one another and that, rather than appearing as distinct movements, overlap, interpenetrate and interact, creating zones — or places — that move in time.
The different situations are given imaginary names, freely associated with the universe of a dwelling, not as designations of specific parts or spaces but as ways of expanding the field of associations suggested by the work: “Hall of memories”, “The Sleeping room”, “Back corridor” and even “Footnotes” (literally “notes on the skirting board”), among others.
Although free associations can be made between these references and the music, TêTrês is not a programmatic work. Conceived for Miguel Azguime’s Loudspeaker Orchestra (Orquestra de Altifalantes), it seeks to explore, through it, different locations of sound projection, from a rigorously determined basic quadraphonic layout.
António de Sousa Dias
January 2001 (rev. 2026)
David Nguyen: The Gardens Between The Pillars
The Gardens Between the Pillars is one of the five movements of The Elemental Cycles, in which each cycle uses a primordial element as its main character. In fact, the five cycles are considered works of “cinema for the ear”.
In this cycle the only element used is wood, including sonic images related to this material. There are creaking books and doors, wooden surfaces on which regular and irregular footsteps walk, the flow of trees associated with The Pillars, as well as divine and earthly creatures, and a music at once pure and distorted, rough and irregular, that accompanies this cinema for the ear.
The Gardens, first of all, is made up of interior and exterior scenes, movements and projections, and the emergence of figurative and explicit sounds from the decentralisation of The Pillars.
In search of a narrative, doors open and close, pages turn. The duality of the images represents:
Theory and Knowledge
Beauty and Violence
Life and Death
Temptation and Enlightenment
The duality of these sonic images contains the same movement — “not two”: Advaya.
The Pillars points to the transcendence of this duality through the redistribution of sonic images, of the function of sound and of movements, as ways of travelling through The Gardens.
Between The Pillars lie the paths, which reveal the interconnection of the natural, the intercomplexity of what is cultivated, and the intervention in the scenes through insertion, which often makes what is represented seem horrific and cruel.
From a distance, we recognise The Gardens as a Gestalt labyrinth.
Up close, we perceive the many, many paths and narratives.
Between The Pillars, we are confronted with the implications of sounds that have no beginning or end.
A walker frees himself from illusion in the infinite forest.
A region of Everblossom trees, a life of ephemeral beauty.
It is the mundane sculpture of the realms of low and high relief, of the Divine and the Mortal.
An immersion in a boundless rhizome — a chiasm of sonic attribution.
An immersion in all wooden materials as they are perceived.
A duality must be understood in order to walk the path in its full length.
And you will hear it in everything.
Carlos Caires: Limiar
Limiar (Threshold), for solo clarinet and electronics, was commissioned by the Centro Cultural de Belém Foundation for a music and dance performance. It was premiered in Lisbon (CCB) in October 2002, performed by Vitor Pereira (Remix Ensemble), danced by Martin Nachbar to choreography by Lilia Mestre. Limiar is a path travelled between several pairs of extremes: from the composition of “noise” to the organisation of “notes”, from near-irregularity to near-regularity, from low to high, from blurred to defined, from empty to full. The idea is not to seek a true integration between the instrumental and electronic worlds, but rather to propose a slow transformation of one into the other.
Biographies

Adrien Moujahid
Adrien Moujahid is a sound artist and composer of electroacoustic and acousmatic music, based in Brussels, Belgium. He trained at the Conservatoire royal de Mons, where he completed a master’s degree in acousmatic composition. He approaches the microphone as his main instrument, drawing his material from close recordings of bodies and objects, which he then composes for loudspeaker diffusion and for the acousmonium. His music has been presented in Belgium and France, and he is the recipient of the Fondation Annette Vande Gorne grant for 2025–2026.

Alvaro Borges
Alvaro Borges is a composer and researcher in the fields of contemporary music composition and creative approaches to music education.
He coordinates the research group Núcleo de Arte e Tecnologia (NAT), is founding coordinator of the Laboratory of Sound Languages and Electroacoustic Music (LiSon-ME/UNESPAR), founding director of the Brazilian Institute of Audio and Sound Technology (IBATS) and President of the Brazilian Society of Electroacoustic Music (SBME).
At the State University of Paraná he is Associate Professor in the Graduate Programme in Music, the Lato Sensu Postgraduate course in Electroacoustic Music (founding coordinator) and the Popular Music degree. As well as supervising research and artistic work in the fields of creation and music education, he has played an important role in promoting contemporary music in Brazil by organising major artistic and academic events such as the ABEM Southeast Regional Meeting (2009), the SBME International Electroacoustic Music Meeting (2024) and the UNESPAR Brazilian Electroacoustic Music Meeting (2023/2025).

Pedro Pádua
Pedro Pádua was born in 2006 in Braga. He attended the Calouste Gulbenkian Conservatory of Music in Braga, where he studied composition with Paulo Bastos. He is currently in the second year of the composition degree at the Escola Superior de Música de Lisboa (ESML), under Jaime Reis.
His acousmatic piece Entre Espaços was selected by Projecto DME to be presented at Electroacoustic Spring 2025 in Rethymno (Greece).
Recently he won 3rd place in the 14th edition of the Nano Músicos Electroacústicos competition with his piece Feathered Beam, for B-flat clarinet and fixed electronics.
© Sofia Nunes
Mariana Vieira
Mariana Vieira (Sintra, 1997) completed her undergraduate degree in composition and her master’s in music education at the Escola Superior de Música de Lisboa (ESML), under Jaime Reis.
Her catalogue includes acousmatic, mixed and instrumental music, for chamber ensembles, orchestra and solo, as well as educational works.
Her music has been presented at festivals such as Young Euro Classic and BachFest (Germany), L’Espace du Son (Belgium), Crossroads and Echoes Around Me (Austria), Monaco Electroacoustique (Monaco), Aveiro_Síntese and Música Viva (Portugal).
She received the European Composer Award (Germany) in 2017 with her piece Raiz, written for the Jovem Orquestra Portuguesa (JOP), the Electronic Music Composition Contest of Musicworks magazine (Canada) in 2021, and the “Young Lion*ess of Acousmatic Music” competition, promoted by The Acousmatic Project (Austria), in 2022.
Besides her compositional output, she has worked in artistic structures such as Projecto DME, the Lisboa Incomum space and the EMSCAN association.
As an FCT (Portuguese Foundation for Science and Technology) fellow, she is currently pursuing a PhD in Performing Arts and Moving Image (specialising in Composition) at FBAUL (University of Lisbon), in collaboration with IPL/ESML, under Carlos Caires and António Sousa Dias. She has been Invited Assistant Professor at the School of Arts of the University of Évora since 2025.
mariana-vieira.net
António Sousa Dias
António de Sousa Dias (Lisbon, 1959) is a composer, performer and transdisciplinary creator, exploring the intersection of sound, image and technology. He is Associate Professor with habilitation at the Faculty of Fine Arts of the University of Lisbon, where he currently serves as President.
His artistic path runs through instrumental composition, electroacoustic music, audiovisual creation and performance, including music for film and audiovisuals – fiction, documentary, animation – and the composition of works exploring various genres (instrumental, electroacoustic, mixed), performance, music theatre, installation and multimedia.
His work is characterised by an approach that both dialogues with tradition and explores the potential of digital technology and programming in sound and music creation. Besides his creative activity, he is dedicated to the preservation of musical heritage, promoting the recovery, reinterpretation and availability of works by different authors, contributing to their dissemination and rediscovery.

David Nguyen
David Quang-Minh Nguyen (b. 1990) is a sound artist, sound designer/re-recording mixer and composer, devoting his work to the electroacoustic and acousmatic media. His current interests centre on composing works of a narrative character, in which meaning and sound become fundamental components in the development of his creations. He has also focused on the importance of sound spatialisation and 3D immersive audio, working with Dolby Atmos and Ambisonics (Higher-Order Ambisonics), among others.
He is a composer recognised nationally and internationally, with works presented at numerous events around the world. Since turning to immersive acousmatic music, all of his compositions have been finalists, received honourable mentions or been awarded in various competitions.
His works have been released by ABLAZE Records on Electronic Masters Vol. 7, and received an honourable mention at the XII Destellos Electroacoustic Competition in 2019. He also won 2nd place at the XIII Destellos competition with Adumbrations, was a finalist for PRIX CIME 2019, and received the 2nd prize of the ASCAP/SEAMUS Award with Weight Stranding. In 2021 his work Whale Song Stranding, commissioned by SEAMUS, was selected for the SEAMUS 31 CD and received a selection at the Ars Electronica Forum Wallis. In 2023 David received the Prix CIME Residency Award for Whale Song Stranding. His work Texture Arc the Points won 1st place at the ULJUS International Piano Competition Smederevo and 2nd place at the prestigious 13th Concours Biennal de Composition Acousmatique Métamorphoses.
David took part in one-to-one composition masterclasses with Roger Reynolds and Brian Ferneyhough. He was an active participant in the DME Composition Seminars, directed by Åke Parmerud, where he worked on real-time diffusion, and in the Musique & Recherches summer academy of electroacoustic composition, directed by Annette Vande Gorne and João Pedro Oliveira, where he deepened his knowledge of multichannel composition. He was also selected by master Robert Normandeau for a residency at the Atlantic Center for the Arts, where he had his first contact with acousmatic practices related to the concept of “cinema for the ear” and with electronic music for dome-shaped loudspeaker systems.
David Q. Nguyen holds a degree in Music Composition from Old Dominion University, where he studied with Andrey R. Kasparov and Mark Chambers. He later completed his Master’s and Doctor of Musical Arts (DMA) in Music Composition at the University of Illinois Urbana-Champaign, where he spent more than 10,000 hours in the Experimental Music Studios — roughly eight hours a day, seven days a week, without interruption — described as the “second electronic music studio developed in the United States” and the “first formally recognised electroacoustic music facility in the United States”. At UIUC his main teachers were Eli Fieldsteel, Erik Lund, Reynold Tharp, Sever Tipei and Scott A. Wyatt.
© Jorge Carmona 2024
Carlos Caires
Carlos Caires (b. 1968) is a Portuguese composer of music for solo instruments, chamber groups, and medium and large orchestra.
Most of his works include electronics. He trained in composition at the Escola Superior de Música de Lisboa (ESML), studying with Constança Capdeville and Christopher Bochmann (composition) and António de Sousa Dias (electroacoustic music). He later obtained a Maîtrise (1999), a Diplôme d’Études Approfondies (master’s, 2000) and a doctorate (2006, as an FCT-funded fellow) from the University of Paris 8, under Horacio Vaggione.
Caires began his teaching career at the Setúbal Regional Conservatory and the National Conservatory of Music (1988–1991), before joining the ESML faculty in 1992. Alongside composition, he pursued studies in choral and orchestral conducting, attending several summer courses in Portugal and abroad. He co-directed the Coro da Juventude Musical Portuguesa with conductor Paulo Lourenço and later co-founded and co-conducted the Coro Ricercare until 1998. His music has been presented at festivals in Portugal, as well as in several European countries, the United States and China.
Carlos Caires has received commissions from many institutions and ensembles, among them the Calouste Gulbenkian Foundation – ACARTE, Borealis Ensemble, Almada City Council, Casa da Música Foundation, Centro Cultural de Belém, Orchestra Sinfonica Nazionale della RAI/Centro Tempo Reale, Aveiro-Síntese Festival, Expo’98, Grupo de Música Contemporânea de Lisboa, Lisbon Ensemble XX/XXI, Miso Music Portugal, Companhia Nacional de Bailado and RTP/Antena 2.
Among his composition awards are the Joly Braga Santos Prize (1995) for Al Niente, the Cláudio Carneyro Prize (1996) for Wordpainting and the ACARTE Prize (1998, shared with João Madureira) forRetábulo-Melodrama. His output also includes soundtracks and sound design for several independent animated films. Over the last two decades he has been involved in developing specialised software for electroacoustic music and computer-assisted composition. One of his most significant projects is IRIN, a sound micro-montage software he began developing during his doctoral research at CICM (Centre for Research in Computer Science and Musical Creation, University of Paris 8) and which continues to evolve today. More recently his work has expanded into interactive audiovisual installations, exploring the integration of motion sensors and real-time sound processing. As an educator, he has played a key role in developing courses and projects in music technology, music informatics and computer-assisted composition in Portugal.
In April 2025 he released the double CD “Os sons em volta” (Artway Next), with works for various ensembles spanning almost 20 years.
Carlos Caires lives in Lisbon and teaches at the Escola Superior de Música de Lisboa.

Catarina Crespo
Catarina Crespo is a clarinettist and music teacher, currently studying for a Master’s in Music at the Escola Superior de Música de Lisboa, under Prof. Dr. Manuel Jerónimo.
Her musical path began at the Sociedade Filarmónica Comércio e Indústria da Amadora, going on to the National Conservatory and the Escola Superior de Música de Lisboa. As a performer she has been regularly active in different ensembles and artistic projects, with experience in orchestras, bands and ensembles, in both academic and professional contexts.
Her interest in contemporary music and in exploring new languages has developed through different creative and performance projects. In the Mixed Music Laboratory, a course at the Escola Superior de Música de Lisboa led by Professor Jaime Reis, she has taken part in various activities dedicated to contemporary music and to exploring new forms of musical creation and presentation. These projects have included collaborations with other artistic fields and institutions, notably the Escola Superior de Dança, as well as proposals related to ecology and other activities held in various parts of the country.
She is also a member of Ensemble Contrafluxo, dedicated to experimental and contemporary music and improvisation, and has taken part in multidisciplinary projects that cross music with other artistic languages.
Alongside her work as a performer, she teaches clarinet and music, seeking to combine pedagogical practice with research, creation and artistic exploration.
Round table “A minha voz é a tua voz” (“My voice is your voice”)
11 OCT, 18:00 | Lisboa Incomum
On 11 October, we start from Ernesto de Sousa’s work “A minha voz é a tua voz” to talk about memory, archive and identity. An opportunity to think about how the records of yesterday can become part of today’s dialogue. Present will be composers Marta Domingues and Mariana Vieira, Isabel Alves - president of CEMES - Ernesto de Sousa Centre for Multidisciplinary Studies, Pedro Félix - anthropologist and coordinator of the National Sound Archive, and Ana Telles - pianist and integrated researcher at CESEM - Centre for Music Studies.
Conversation moderated by composer Jaime Reis.
Participants: Marta Domingues · Mariana Vieira · Isabel Alves · Pedro Félix · Ana Telles
Moderator: Jaime Reis
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Ana Telles
She studied in Lisbon, New York and Paris, and received her doctorate from the University of Paris IV - Sorbonne (France). She maintains an intense concert career in Europe, Asia and the Americas, and has been a soloist with various national and international orchestras. Her discography currently comprises more than twenty-five titles.
As an integrated researcher at CESEM, she carries out research in the fields of 20th- and 21st-century music, Portuguese music (modern/contemporary periods) and piano music. She is the author of a significant number of book chapters, articles in indexed journals and music editions, including a critical edition of Luís de Freitas Branco’s Preludes for piano.
Ana Telles is Full Professor at the University of Évora.
Isabel Alves
Since 1988, Isabel Alves has been responsible for promoting and preserving the Ernesto de Sousa (EdS) archive. Between 1967 and 1988, she collaborated with EdS on the production and realisation of films, exhibitions and mixed-media performances.
In 2008, she co-founded CEMES – Centro de Estudos Multidisciplinares Ernesto de Sousa – Associação. As its president, she represents CEMES in public presentations and events.
From 1992 to 2013, she created and coordinated, together with Phill Niblock (EIF, New York), the EdS Fellowship (BES), with the support of FLAD and FCG. The 15th anniversary of the BES was marked by exhibitions and a book.
In 1997–98, she was part of the team of the 100 Days Festival at Expo ’98, working on the exhibition Journey Through the 20th Century and Corvo Branco (Robert Wilson/Philip Glass).
Curatorial work:
Abril-Mulher, Museu da República/Resistência, 1996
Revolution My Body – Ernesto de Sousa Poster Collection, Museu Coleção Berardo, 2017
Keep in Touch, co-curated with Pedro Barateiro and Ricardo Valentim, Galeria Diferença, 2019
Meu Amigo, MNAC – Museu do Chiado, co-curated with Emília Tavares, 2021
She has collaborated with various artists, researchers and cultural professionals on the production of books and exhibitions, including José Miranda Justo, Ser Moderno em Portugal (Assírio & Alvim, 1998); Jonas Magnusson & Cecilia Grönberg / OEI, revised edition of OEI #80/81, The Zero Alternative: EdS and Some Other Aesthetic Operators… (2018); Hugo Canoilas, Supergood – Diálogos com EdS, Fundação EDP; and the 2021 centenary of EdS, Exercícios de Comunicação Poética…, curated by Lilou Vidal at Galerias da Índia and Quadrum.
From 1994 onwards, she coordinated four editions of the mixed-media project Almada, um Nome de Guerra, presented at CAM – Fundação Calouste Gulbenkian and Cinemateca Portuguesa.
From 2000 to 2023, she was Coordinator of the Berardo Collection, responsible for acquisitions, loans and copyright.
In 2013, she organised the content of the first website dedicated to EdS, [www.ernestodesousa.com], which now has a second version organised by Ana Baliza. She remains responsible for its ongoing updates.
In 2026, she is responsible for the research and publication of Ernesto de Sousa – Da vanguarda como necessidade: Crónicas 1974–1978, published by Imprensa Nacional, and Talismã/Talisman, correspondência Ernesto de Sousa – Robert Filliou, published by Pierrot le Fou, Porto, and Éditions Loco, Paris.

Pedro Félix
Pedro Félix has been a researcher at the Institute of Ethnomusicology – Centre for Music and Dance Studies of the Universidade Nova de Lisboa (FCSH) since 1997 and has collaborated with the Fado Museum since 2005. Over the last decade he has carried out fieldwork on musical groups in Portugal (groups that identify as belonging to the pop-rock domain), technology, the record publishing industry, and sound heritage. This work was the basis for several scientific articles, supported the coordination of the Encyclopaedia of Music in Portugal in the 20th Century, for which he wrote more than 50 entries (in the fields of pop-rock and fado), and for a doctoral thesis on musical practice in industrial production contexts, with the group Xutos & Pontapés as its field. He was part of the team that prepared Fado’s nomination as UNESCO Intangible Cultural Heritage, coordinating and carrying out the fieldwork and the inventory of historical phonograms. He curated the exhibition Óscar Cardoso. Um guitarreiro. He currently coordinates the digitisation programme of the Fado Museum’s phonogram collection and is author and co-author of relational databases of repertoire and phonograms, projects that form part of Fado’s safeguarding plan. He has written on digitisation processes based on the process developed at the Museum, on fado, and on sound recording, drawing on data collected during digitisation. He is currently co-coordinator of the European project (ERA-Net programme) HeritaMus. He teaches at the Faculty of Social and Human Sciences in the area of ethnographic methods and epistemology, both in the Musical Sciences department and in the Postgraduate course in Popular Music Studies.
Concert
11 OCT, 19:30 | Lisboa Incomum
Programme
Daniel Teruggi: Après une réécoute de Sud (2017), acousmatic
Nuno d'Eça: The Egg* [Shortened Version] (2025), for clarinet and electronics
Jaime Reis: Corpos Sonoros II: filigrana árida (2026), acousmatic
Clemens von Reusner: EREMIA (2024), acousmatic
Marta Domingues: Carta aos Ouvintes que estão Aqui Dentro desta Sala** (2026)
*1st Prize Nano Músicos Electroacústicos DME 2025 (Higher Education Cat.)
**World premiere, commissioned by Projecto DME
Ruben Jacinto - Clarinet
Programme notes
Daniel Teruggi: Après une réécoute de Sud
Jean-Claude Risset was a great friend of the GRM, one of those musical friends we rarely meet. From the 1960s and his incursion into computer music in the United States, he sought to share with his French colleagues his discoveries and the immense possibilities this new medium offered for musical creation. Risset received the first commission for a computer-made musical work in 1967, with his piece Mutations. Later he composed several works at the GRM, exploring a new technology each time and letting his passion for sound develop.
One of the most emblematic works he composed is Sud, dedicated to the calanques of Marseille, in which he seeks to capture the essences of nature and of hidden sounds. To compose my work Après une réécoute de Sud, I use sounds of my own but also small fragments of his music, which I work, develop and reconfigure, seeking to preserve only the flavour of his music. I have always been very fond of this work, which is a hybrid between different types of sounds: sounds of nature, instrumental sounds, computer-synthesised sounds and then the transformation, through different tools, of all these sources. It is a very poetic and contemplative work, which was premiered at the Festival Format Raisins 2017, at the Prieuré de la Charité-sur-Loire.
Nuno d'Eça: The Egg [Shortened Version]
In Andy Weir’s short story The Egg, a man who has just died in a car accident finds himself face to face with his Creator. In a long conversation, he tries to understand the meaning of his life, seeking inner peace with himself and with those he left behind. As his perception changes, he reflects on the path that brought him there and on what awaits him.
Inspired by this story, The Egg is a piece for clarinet and electronics that explores this process of accepting the transience of life. Similarly, this process is conveyed through a “conversation” between an “individual” who has just passed to another plane of existence (clarinet) and an unknown omnipotent entity (electronics).
On stage, a setting is created: a room decorated in 1950s or 1960s style, where this “individual” (the performer) wakes up, sitting alone on a sofa. Confused, he gradually tries to understand his situation. Sounds move through the room, a light turns on and off, a television switches on — he is not alone. Now certain of the presence of another entity, the conversation begins.
This is a shortened version of the piece, which originally lasts approximately fifteen minutes. In the full version, an acousmatic prelude precedes the live performance, the section beginning at bar 74 is developed for longer, and the improvised passage beginning at bar 10 is likewise expanded.
Composer’s note: In the electronics, in the moments between 1:4 and 13:4 and between 102:9 and 105:9, excerpts from the piece Estudo Acumático (2023) by Cristóvão Almeida are transformed and/or interpolated into the piece. Permission to use these excerpts was granted by the composer.
Jaime Reis: Corpos Sonoros II: filigrana árida
Commissioned by Projecto DME, with the support of DGARTES / Ministry of Culture, Calouste Gulbenkian Foundation, Lisbon City Council and Lisboa Incomum.
The Corpos Sonoros (Sound Bodies) cycle starts from references such as the work of Pierre Schaeffer, François Bayle, Annette Vande Gorne, Harry Partch and the Baschet brothers, among other authors who explored the relationships between sound, sculptural objects and gesture.
The second piece of the cycle, filigrana árida (arid filigree), arose from an artistic project of a pedagogical and community nature, developed by me and directed by Projecto DME / Lisboa Incomum. The first phase of the project ran from February to September 2025.
Joana Coelho, a friend of Lisboa Incomum and mother of one of the participants in Corpos Sonoros I, gave us an upright piano that had been dismantled. Together with Pedro Costa, I rebuilt the instrument using its original materials and some found objects (objets trouvés), thus giving rise to a new sound body, following principles of creation and transformation of sound matter inspired by the thinking of Pierre Schaeffer.
This first phase gave rise to two installation-performances, conducted by Beatriz Costa and Jaime Reis, developed through a collaborative and participatory process involving local artists, students and community members. The presentations took place at the Calouste Gulbenkian Foundation on 8 and 9 March 2025, followed by a new version presented on 19 September.
The combination of these elements, the many hours of improvisation and the recording sessions carried out with the sculptural object, with the collaboration of Beatriz Costa and Tiago Jónatas, gave rise to thousands of sound objects. These objects embody gestures, movements and different states of energy, from which a kind of community idiolect gradually formed.
Throughout this process, aridity, granular matter and filigree detail asserted themselves as recurring qualities, shaping both the materiality of sound and the gestures through which it is produced and transformed.
The piece was composed at CMMAS – Mexican Centre for Music and Sonic Arts and at Lisboa Incomum, between January and September 2026.
Formally, the work evokes arid and granular textures, filigree-like structures and a sense of material fragility. These elements develop through moments of expansion and joy, accumulations of energy and contrasts, creating a musical form in constant transformation.
Clemens von Reusner: EREMIA
EREMIA (Gr. ἐρημία)
uninhabited area, remote place
EREMIA is a commission from the German Society for Electroacoustic Music, on the occasion of the award of the Thomas Seelig Prize for Fixed Media 2024 for Clemens von Reusner’s compositional work.
EREMIA was a finalist at the Destellos International Competition 2024 (Argentina).
Marta Domingues: Carta aos Ouvintes que estão Aqui Dentro desta Sala
This piece seeks to bring to life an open letter that Ernesto de Sousa recorded on cassette in December 1969, addressed to the collaborators of “Nós Não Estamos Algures” (“We Are Not Somewhere Else”), a mixed-media work presented at the Clube de Teatro 1.º Acto in Algés at that same time. December 1969 – five years before the 25 April revolution.
“Nós Não Estamos Algures” was an “exercise in poetic communication” that sought to break the dichotomy between artist and spectator through actions that encouraged the audience to take part because, in Ernesto de Sousa’s words, “taking part in theatre is the same as taking part in life, etc” (1969). The title of the mixed-media piece comes from a sentence in “A Invenção do Dia Claro” by José de Almada Negreiros:
“But let us not speak without foundations. We are not somewhere else. We are here inside this room, where I am giving the lecture – the floor, the ceiling and four walls. You and I. To orient ourselves better, where I am standing will be North, at the far end of the room South, East over there and West on that side. Let this be well agreed between us, so that when I call South the place where I am, you stand up, protest, and say no, that South is at the far end of the room.” (translated from the Portuguese)
This is where the title of this piece comes from. Because we are all here. And Ernesto de Sousa’s words still echo today. There is still a need to provoke.
The audio recording of the letter was kindly provided by Isabel Alves, President of the Ernesto de Sousa Centre for Multidisciplinary Studies (CEMES). The recording was digitised by Jaime Reis/Lisboa Incomum and the audio treated by Pedro Félix, Coordinator of the National Sound Archive. It also contains audio excerpts from the CD-ROM “Pulsar da revolução” from the CD25A Digital Archive of the University of Coimbra (https://www.cd25a.uc.pt/pt/page/8).
The piece is a commission by Projecto DME – Dias de Música Electroacústica (2026).
Biographies

© Pierre Grossman
Daniel Teruggi
Daniel Teruggi was born in 1952 in Argentina.
He studied Physics, Composition and Piano in his home country. In 1977 he moved to France, where he studied at the Conservatoire National Supérieur de Musique de Paris. In 1981 he began working at INA (Institut national de l’audiovisuel), within the GRM (Groupe de Recherches Musicales). In 1997 he became director of the GRM, a post he held until his retirement in 2017. From October 2001 to 2016 he was also director of INA’s research and experimentation department.
In research, he worked actively on the preservation of audiovisual collections, especially in the field of electroacoustic music. Teruggi has composed more than 90 works, mainly for the concert context, using both electroacoustic devices in acousmatic situations and live instruments. He is the author of numerous research articles on sound, perception and musical analysis. His works have been presented in more than 30 countries and published in several CD collections.
He holds a doctorate in Art and Technology from Université Paris VIII and has carried out important teaching activity at Université Paris I, Université Paris IV-Sorbonne and Université Paris-Est. In 2016 he received the SMPTE Archival Technology Medal Award for his work on the preservation of audiovisual content, with a special focus on music. That same year he also received the SAT Award, given by the Société des Arts Technologiques in Montreal, Canada, in recognition of his artistic career. In 2022 he received the prestigious Giga-Hertz Award from ZKM (Zentrum für Kunst und Medientechnologie) in Karlsruhe, Germany, and in 2023 the Lifetime Honorary Award from the International Federation of Television Archives (FIAT/IFTA) in Locarno, Switzerland.
Retired since 2018, he continues his musical activity as well as his work in audiovisual preservation.

Nuno d'Eça
Nuno d’Eça began his musical studies at the age of 7 at the Sons e Compassos Music Conservatory in Sintra. In 2015 he enrolled at the Universidade Lusíada de Lisboa in the Jazz and Modern Music course, with teachers such as Mário Delgado, Ricardo Pinheiro and Desidério Lázaro. After finishing his degree (2018) he took private lessons with Vasco Mendonça, and the following year entered the Composition course at the Escola Superior de Música de Lisboa (ESML), where he studied with Luís Tinoco and Carlos Caires. He is currently completing a Master’s in Music Education at ESML, with Jaime Reis and Ana Seara. His piece “I’m Sorry Dave”, chosen for the 2020 CIME/ICME festival, stands out.

© Rainer Erhard
Clemens von Reusner
The electroacoustic works of German composer Clemens von Reusner are characterised by the use of purely electronic sounds and of sounds captured in specific places and later worked on in the studio.
Work on sound itself, its organisation and its movement along different trajectories in the virtual acoustic spaces created by multichannel loudspeaker configurations lies at the centre of his compositional work.
Clemens von Reusner is a member of the Berlin Academy of Arts and the German Academy of Music Authors. His works have received national and international awards and are presented around the world at prestigious international contemporary music festivals.
www.cvr-net.de
© Yuna Le Quéré
Marta Domingues
Marta Domingues (b. 2000) is a composer. She completed a Master’s in Composition, under composers Jaime Reis and Annette Vande Gorne, with whom she studies regularly in Brussels, and a Master’s in Music Education, both at the Escola Superior de Música de Lisboa. She is currently a doctoral candidate at the Faculty of Fine Arts (University of Lisbon).
Her catalogue includes electroacoustic and instrumental works, solo and for various ensembles. In her artistic practice she seeks expressive connections in the energetic traits of sound and in its reciprocal relationship with gesture and space.
Her music has been presented in various contexts and contemporary music festivals in Portugal, Spain, Northern Ireland, England, Belgium, France, Germany, Austria, Sweden, Cyprus, the Netherlands and Albania. She has been awarded at the Métamorphoses 2020 competition (BE) and Young Lion*ess of Acousmatic Music (AT), and received a recommendation at the 69th International Rostrum of Composers (NL).
She has works published by Influx/Musiques et Recherches (BE) and DME/Lisboa Incomum editions, and on the album “When You Hear Hoofbeats, Think Horses, Not Zebras” by Nada Contra. She helped organise Projecto DME and Lisboa Incomum between 2020 and 2024.
Website: martadomingues.com

Ruben Jacinto
Ruben Lopes Jacinto is one of the most versatile musicians of his generation, curious and deeply committed to musical and artistic creation.
His career spans a wide range of performance activities linked to contemporary music and theatre. He holds a Master’s in Music Performance from the Trinity Laban Conservatoire of Music and Dance, where he studied with Joan Enric Lluna and Fiona Cross. He has won prizes in several competitions and been awarded scholarships on multiple occasions.
He recorded Malcolm Arnold’s Clarinet Concerto No. 2 for BBC Radio 3 and premiered A Monologue with Radios by Simone Spagnolo at St Martin-in-the-Fields in London. He is currently developing the creation and publishing project Elíptico. Lisboa. Londres. Clarinet Stories, with composers Jaime Reis, Nuno d'Éça and Simone Spagnolo.
Recently he co-created A Cada Verso Nasço with the PICA collective, recorded 5 indagações for solo clarinet by Gonçalo Gato, and collaborates with Ana Margarida Lacerda on the SoliDó project (music for babies). He has worked with the Lisbon Film Orchestra since its foundation in 2007.
With composer Luís Soldado he collaborated on O Sorriso de Sofia, Super Diva (RTP 2), Lisboa Mudaand O Corvo. He also co-created Moby-Dick (among the 10 best theatre productions of the year according to the weekly Expresso), O Som e a Fúria (Teatro Mosca), Sognimod and Seravat (Companhia Mascarenhas Martins).