Residência Artística- Hugo Vasco Reis e Trevor McTait
04-09 OUT 2026 | Lisboa Incomum
Concerto
9 OUT, 19h30 | Lisboa Incomum
O compositor Hugo Vasco Reis e o violetista Trevor McTait estarão em residência artística no Lisboa Incomum, onde irão trabalhar numa nova peça para viola e electrónica.
A residência culminará no concerto de abertura do Festival Imersivo, que terá lugar no dia 09 de Outubro, às 19h30, no Lisboa Incomum.
Programa
Jaime Reis: Fluxus, Transitional Flow (2013), para viola d'arco e electrónica
Eduardo Luís Patriarca: Un Souffle, Le Rêve (2005), para viola d'arco
Hugo Vasco Reis: Re-Memory I* (2025/2026), para viola d'arco e electrónica
Ricardo Dal Farra: Sense (2018), acusmática
João Pedro Oliveira - Pulses** (2025), acusmática
Miguel Azguime: Dedans-Dehors (2018), para viola d'arco
Igor C Silva: Terminus (2009), para viola d'arco e electrónica
*Estreia mundial, encomenda Projecto DME
** Encomenda DME - nova versão para sistema electroacústico imersivo em forma de cúpula
Jaime Reis:Fluxus, Transitional Flow
Esta peça pertence ao ciclo Fluxus, cujas peças são inspiradas em elementos da Física e nas quais são desenvolvidos elementos musicais que se relacionam com determinados fenómenos físicos relacionados com a mecânica dos fluidos. Nesta peça em particular, encomenda do Festival Primavera, foram gravados sons de aviões do Aeroclube de Torres Vedras e utilizadas técnicas de síntese que remetessem para a ideia de um fluxo musical que parte da viola d'arco e é expandido para a electrónica, em transições que passam desde os elementos mais próximos ao material musical instrumental, como que se de um fluxo laminar (numa perspectiva física) se tratasse, até elementos mais imprevisíveis, como se de num fluxo turbulento, gerando assim um jogo constante de transições entre os diferentes materiais musicais e seus tratamentos. Foi concebida como uma peça didáctica cujas partes foram organizadas para poderem ser tocadas por alunos em níveis diferentes de modo a promover o estudo do instrumento por alunos do Ensino Artístico Especializado em práticas menos frequentes como a música electroacústica.
Eduardo Luís Patriarca: Un Souffle, Le Rêve
Un Souffle, Le Rêve integra um ciclo de obras dedicado a instrumentos de cordas. A obra parte da ideia de um “som único” e de uma escuta meditativa e contínua desse som, a partir do qual se desenvolve todo o restante material musical.
Esta abordagem estabelece uma relação com uma preocupação presente na chamada Escola Espectral, embora aqui explorada de forma particular. A atenção à natureza do som e às suas possibilidades de transformação conduz ao aparecimento de relações microtonais e de um material musical que se vai progressivamente construindo a partir desse núcleo sonoro.
A ideia de permanecer sobre um som, observá-lo e descobrir nele novas possibilidades aproxima-se de uma preocupação partilhada por compositores como Gérard Grisey, Jonathan Harvey e Georg Friedrich Haas, entre outros. Mais do que um processo puramente técnico, esta exploração assume também uma dimensão filosófica e contemplativa: o som torna-se simultaneamente ponto de partida, matéria e espaço de escuta.
Hugo Vasco Reis: Re-Memory I
"O passado é tudo menos o que já passou. É algo a que eu posso sempre voltar de novo.”
Esta citação de Martin Heidegger, em “O conceito de tempo”, serve de premissa para Re-Memory, um ciclo de obras a solo, com recurso a amplificação e/ou electrónica. Assim, em cada obra, a memória é revisitada com base na escuta e mediação de gravações de campo, realizadas pelo compositor, as quais contêm arquivos sonoros tais como, sons no interior de árvores, sons em estruturas metálicas, ou sons de debaixo de água, apenas para nomear alguns, cujo conceito se inclui, segundo o próprio, como parte do ambiente sónico silencioso. O objetivo é, através da prática artística, incitar a uma nova consciência sonora da realidade "ausente" em que todos vivemos.
Ricardo Dal Farra: Sense
O sentido da vida. O sentido das coisas que fazemos.
A direção em que avançamos… para onde vamos.
Complicações e complexidades que se vão suavizando com o passar do tempo, de uma forma ou de outra, para o bem, por vezes para o mal. O tempo é uma ficção que nos surpreende.
Depois da ação, dos sobressaltos, das intervenções e das infinitas buscas, a reflexão e um passo após o anterior, entre os milhares da estrada.
Miguel Azguime: Dedans-Dehors
"Inside-outside" explora uma dualidade no carácter musical da viola. Por um lado, exuberante, enérgica e brusca; por outro, delicada, íntima e ténue.
Recorrendo a técnicas instrumentais e a uma linguagem musical levadas ao extremo, esta dualidade é acentuada tanto quanto possível. A obra oscila entre momentos excessivamente rápidos e agressivos e outros construídos a partir das sonoridades mais suaves e de frases longamente dilatadas no tempo.
A obra prevê também a possibilidade de utilização de eletrónica em tempo real. Na presente ocasião, é apresentada na sua versão para viola solo.
Igor C Silva: Terminus
Esta peça representa o fim de tudo aquilo que conhecemos. É uma forma de expressar as cores e os sentimentos associados a todos os ciclos que chegam ao fim. Uma peça para viola e electrónica que explora a ideia de espaço como lugar de ressonância e suspensão, onde o som se estende para além do gesto instrumental. Entre a noção de fim e a contemplação, a música habita um território liminar em que cada som parece persistir, observar e desaparecer lentamente.
Hugo Vasco Reis
Hugo Vasco Reis (Lisboa, 1981) é compositor e investigador, a viver no Porto. A sua prática artística estende-se à música acústica, música electroacústica e instalações sonoras, realizando colaborações com músicos e artistas visuais, que apresentam regularmente as suas obras por toda a Europa.
A sua música está documentada num vasto catálogo de partituras e álbuns, tendo sido premiada ou selecionada em diversos concursos nacionais e internacionais.
As suas composições recentes incluem uma investigação sobre os fenómenos sonoros e de percepção, abordando agências de escuta e mediação, com o objetivo de incluir sons aparentemente silenciosos do ambiente sonoro na prática artística.
Atualmente é doutorando na University of Music and Performing Arts Graz, KUG (Áustria), como bolseiro da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Estudou composição com Isabel Mundry na Zurich University of the Arts, ZHdK (Zurique, Suíça), como bolseiro da Fondation Nicati-de Luze, com Mark André e Stefan Prins na Hochschule für Musik Dresden (Dresden, Alemanha) e com António Pinho Vargas, Luís Tinoco e Sérgio Azevedo na Escola Superior de Música de Lisboa (Lisboa). Teve aulas particulares e masterclasses com os compositores Toshio Hosokawa, Chaya Czernowin, Hans Tutschku, Dieter Ammann, Franck Bedrossian, Barry Truax, Zigmunt Krauze, Åke Parmerud, Carola Bauckholt, Klaus Lang, Peter Ablinger, entre outros.
As suas obras têm sido apoiadas pelo Ministério da Cultura de Portugal, DGArtes, Antena 2, Câmara Municipal de Lisboa, SPAutores, GDA, Coro Setúbal Voz, Síntese GMC, Musicamera, Borealis Ensemble, MPMP, Duo Sigma, Arte no Tempo, ZHdK Foundation, Momento Foundation, Graf-Fonds, Gaudeamus, KWDS, Trio Elogio, GMCL, Drumming, Vertixe Sonora, Collective Lovemusic, QCC String Quartet, Trio Piazzolla Lisboa, Orchestra della Svizzera Italiana, Miso Music Portugal, RePercussion Trio, Orquestra Portuguesa de Guitarras e Bandolins, Trio Funkloch e Kuratorium Aargau.
As suas partituras encontram-se editadas e disponíveis no MIC.PT – Centro de Investigação e Informação da Música Portuguesa.
Estudou também guitarra portuguesa no Conservatório de Música do Porto e na classe de Pedro Caldeira Cabral. É engenheiro civil, embora atualmente não exerça essa profissão.
Trevor McTaitTrevor McTait é violetista principal do Remix Ensemble e da Orquestra Barroca da Casa da Música, e professor de música de câmara na Escola Profissional de Música de Espinho. Em 2026, lançou Fifty-Fifty, um álbum dedicado à música portuguesa contemporânea para viola solo e viola com eletrónica, e Ténue, um segundo álbum inteiramente dedicado à obra do compositor Hugo Vasco Reis.
Em Londres, trabalhou regularmente com a Orquestra Sinfónica da BBC e a Philharmónica de Londres, participando, entre outros, nos concertos dos BBC Proms, e integrou o Archinto String Quartet e o Chroma, ensemble dedicado à música contemporânea. Ao longo da sua carreira, apresentou-se em algumas das mais importantes salas internacionais, incluindo o Carnegie Hall, em Nova Iorque, o Symphony Hall, em Washington D.C., a Philharmonie de Berlim e o Esplanade Theatre de Singapura, bem como nas principais salas de concerto de Londres. Em contexto orquestral, trabalhou sob a direção de maestros como Bernard Haitink, Vladimir Ashkenazy, Semyon Bychkov, Jukka-Pekka Saraste, Jiří Bělohlávek, Sir Colin Davis e Leonard Slatkin, entre outros, e colaborou com solistas de renome como Maxim Vengerov, Yuri Bashmet, Evgeny Kissin, Steven Isserlis e Fabio Biondi. A sua discografia inclui gravações com a BBC Symphony Orchestra, o Remix Ensemble, a Orquestra Barroca da Casa da Música e a MusikFabrik, entre outras formações.
A sua atividade artística cruza a música contemporânea, a música antiga e a música de câmara. Ao longo da carreira, colaborou com diversos ensembles internacionais, incluindo a MusikFabrik, de Colónia, a Basel Sinfonietta e os New London Soloists, entre outros. Em Portugal, é convidado regularmente a atuar com a Orquestra D'Aquém Mar. Foi também violetista principal da Orquestra Clássica do Centro, da Orquestra de Espinho e da Orquestra Costa Atlântica, tendo colaborado ainda com artistas de diferentes áreas, como Mariza, César Mourão, S. Pedro, Miguel Araújo, Diogo Piçarra e Mão Morta.
Nascido em Hertfordshire, Inglaterra, obteve um mestrado em Música pela Universidade de Cambridge e o DipRAM pela Royal Academy of Music, em Londres, onde foi bolseiro Leverhulme para música de câmara. Estudou viola com violetistas como Martin Outram, Rivka Golani, Paul Silverthorne, Jerzy Kozmala, Atar Arad e John White, e trabalhou música de câmara com músicos como Sigmund Nissel, do Amadeus Quartet, Sandor Devich, do Bartók Quartet, Sir Colin Davis e diversos quartetos de referência. Entre 1998 e 2000, foi violetista solista A da European Union Youth Orchestra, sob a direção de Vladimir Ashkenazy e Bernard Haitink.
Jaime Reis
Jaime Reis (n. 1983) é um compositor português.%20-%20by%20Sofia%20Nunes%20BW.jpg) |
| Ⓒ Sofia Nunes |
Estudou Composição e Música Electroacústica com João Pedro Oliveira, Emmanuel Nunes e K. Stockhausen. Continuou os seus estudos de doutoramento na Universidade Nova de Lisboa em Etnomusicologia.O pensamento musical de Jaime Reis é informado pelo seu grande interesse pela investigação em ciências naturais e pela sua permanente atenção às tradições musicais - e, de facto, espirituais - asiáticas.Um dos seus focos é a dinâmica das formas, forças e fluxos em música. Explora percursos polifónicos espaciais através de sistemas de som imersivos em forma de cúpula.Outra característica marcante da sua música é a presença de conceitos complexos que sustentam a construção das suas peças, muito embora não distraindo o ouvinte da sua beleza sensível. As ideias funcionam como funções ocultas que, apesar do seu rigor intelectual, geram formas musicais voluptuosas.Jaime Reis é professor de Composição e Música Electroacústica na Escola Superior de Música de Lisboa (ESML) e investigador no Instituto de Etnomusicologia da Universidade Nova de Lisboa. É director artístico do Projecto DME e do Lisboa Incomum, que desenvolvem uma intensa actividade de investigação e criação de música erudita contemporânea.A sua música foi tocada em todo o mundo por ensembles e músicos como Christophe Desjardins, Pierre-Yves Artaud, Aida-Carmen Soanea, Ana Telles, ensemble Fractales, Ensemble Horizonte, Grupo de Música Contemporânea de Lisboa, Machina Lírica, Orchestre de Flûtes Français e Aleph Gitarrenquartett.Bio. por Monika Streitová, flautista e Professora na Universidade de Évora;retirada de jaimereis.pt; actualizada em Maio 2020.
Eduardo PatriarcaNascido na cidade do Porto, em abril de 1970, estudou composição e piano. Frequentou o Mestrado e Doutoramento na Universidade de Aveiro sob orientação de Isabel Soveral.
A sua escrita está ligada ao Budismo, é remanescente da Escola espectral, com uso frequente de fractais e de padrões próximos ao conceito de mantras, de onde derivam ideias de ciclos e policiclos, resultantes de um pensamento polifónico derivado das estéticas medievais e renascentistas.
Ricardo dal Farra
Professor de música e artes eletrónicas na Concordia University, Canadá. Fundador-diretor do Centro de Experimentação e Pesquisa em Artes Eletrónicas da Universidade Nacional de Tres de Febrero (UNTREF), Argentina. Diretor dos simpósios internacionais Balance-Unbalance (BunB) sobre arte-ciência e a crise ambiental; e Understanding Visual Music (UVM). Dal Farra foi diretor do Hexagram Centre for Research-Creation in Media Arts and Technologies, Canadá; coordenador da Área de Comunicação Multimédia do Ministério da Educação, Argentina; pesquisador do Music, Technology and Innovation Research Centre da De Montfort University, Reino Unido; coordenador da aliança internacional DOCAM - Documentation and Conservation of the Media Arts Heritage; consultor sénior do Amauta New Media Art Centre de Cusco, Peru; e pesquisador da UNESCO, França, para seu projeto Digi-Arts. Ele co-desenhou o programa universitário de Artes Eletrônicas na UNTREF, e o programa de Produção Musical na Escola Técnica ORT, na Argentina. Criador da Coleção Latino-Americana de Música Eletroacústica, hospedada pela Fundação Daniel Langlois, Canadá. Membro do conselho editorial de Leonardo (MIT Press), Organised Sound (Cambridge Press), Resonance (University of California Press) e Artnodes (UOC), e do conselho diretor do ISEA International (anteriormente International Symposium on Electronic Arts Arts). Ph.D. em Artes, Pós-doutorado em Arte-ciência - Transdisciplina e Inovação Aplicadas, Dal Farra é um compositor e artista especializado em ações transdisciplinares com ciência e tecnologias emergentes.
João Pedro OliveiraJoão Pedro Oliveira ocupa o cargo de Corwin Endowed Chair em Composição na Universidade da Califórnia em Santa Barbara. Estudou orgão, composição e arquitetura em Lisboa. Concluiu o doutoramento em Música na Universidade de New York em Stony Brook. Sua música inclui composições orquestrais, música de câmara, música eletroacústica e vídeo experimental.
Recebeu mais de 70 prémios internacionais pelas suas obras, incluindo o prestigiado Guggenheim Fellowship em 2023, bem como o Magisterium de Bourges e Prémio Giga-Hertz, o 1o Prémio no concurso Metamorphoses, o 1o Prémio no concurso Musica Nova. Foi professor na Universidade de Aveiro e na Universidade Federal de Minas Gerais.
Publicou diversos artigos em revistas nacionais e internacionais, e escreveu um livro sobre teoria analítica da música do século XX.
Miguel Azguime
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| ⒸJorge Carmona |
Distinguido pela sua versatilidade, o universo criativo de Miguel Azguime reflecte uma abordagem que se baseia nas suas capacidades multifacetadas enquanto compositor, performer e poeta, sendo que esta tridimensionalidade desafia concomitantemente uma certa visão quase mística da arte.
Os inícios do seu percurso musical são marcados pela participação em várias formações de jazz e improvisação, pelos estudos de percussão com Catarina Latino, Júlio Campos e Gaston Sylvestre, e também pela participação em vários cursos e seminários de composição, por exemplo em Darmstadt, e ainda com Emmanuel Nunes e com Tristan Murail.
Um momento decisivo do seu percurso ocorreu em 1982 através do contacto com o flautista Pierre-Yves Artaud. Assim nasceu o Miso Ensemble, um duo de flauta e percussão, criado por Paula Azguime e Miguel Azguime em 1985, que desde o início se distinguiu pela procura de uma outra forma de fazer música, incluindo o uso de amplificação e de meios electrónicos. A filosofia muito própria do Miso Ensemble reflecte-se no seu nome: MISO, um ingrediente tradicional da culinária japonesa feito a partir de um longo processo de maturação, que vai ao encontro de um ideal de vida, pessoal e colectiva.
A partir dos anos 90 a dupla artística, Paula e Miguel Azguime, começou a desenvolver a sua actividade no estrangeiro em colaboração com outros intérpretes e compositores. Esta foi também a altura em que Miguel Azguime iniciou uma transição na escrita composicional, de uma forma mais livre para uma forma mais rigorosa, com a utilização quase sistemática de meios electrónicos em tempo real. Esta transformação propiciou a sua afirmação enquanto compositor, cuja música e linguagem pessoal é hoje em dia amplamente reconhecida.
Paralelamente à sua actividade criativa Miguel Azguime permanece dedicado à promoção e difusão da música de invenção e pesquisa e em particular de compositores portugueses, tanto como fundador da Miso Music Portugal, como director artístico da editora Miso Records e do Festival Música Viva, e ainda como fundador do Miso Studio e do Sond’Ar-te Electric Ensemble. Em 1995 desenvolveu também a Orquestra de Altifalantes, um projecto dedicado exclusivamente à interpretação da música electroacústica; e ainda em 2003, juntamente com Paula Azguime, fundou o Centro de Investigação & Informação da Música Portuguesa, uma plataforma digital de investigação, preservação, comunicação e base de dados, disponível em www.mic.pt, sobre o património musical português do presente para o passado, incluindo documentos numerosos em vários formatos assim como edição e distribuição de partituras.
No percurso composicional de Miguel Azguime mais um dos momentos decisivos constitui certamente a residência da DAAD em Berlim (2006), contexto que propiciou a criação e produção da ópera multimédia Itinerário do Sal – o culminar de um processo de integração entre escrita poética e escrita musical. Esta obra conduziu a uma nova forma de colaboração criativa no seio do Miso Ensemble, com a implementação e consolidação de processos criativos conjuntos na música, dramaturgia e imagem, iniciados com Paula Azguime para as obras Yuan Zhi Yuan (1997/98), O Centro do Excêntrico do Centro do Mundo (1999/2002) e depois desenvolvidos na ópera infantil A Menina Gotinha de Água (2011) e na ópera A Laugh to Cry (2013).
As ligações entre as múltiplas actividades exercidas por Miguel Azguime, como compositor, poeta e performer, deram origem ao seu interesse pelo domínio que o próprio artista designa por “palavra-sentido / palavra-som”, numa tentativa de aproximação entre a componente semântica e metafórica da palavra e os seus parâmetros sonoros. Esta abordagem é típica não apenas nas suas peças operáticas mas também na música de câmara, instrumental e electroacústica, simultaneamente reflectindo as “viagens iniciáticas“ do compositor no processo de criação de cada obra. Vários traços destes princípios encontram-se na produção mais recente de Miguel Azguime.